segunda-feira, 27 de março de 2017

À PF, filho de fiscal pego na Carne Fraca se ‘esquece’ de R$ 252 mil que declarou ao IR


Imagem: Reprodução / Veja
Em depoimento à Polícia Federal nesta terça-feira, 22, o advogado Rafael Nojiri Gonçalves, filho do ex-superintendente Regional do Ministério da Agricultura (Mapa) no Paraná e apontado como o líder do esquema de corrupção na pasta, Daniel Gonçalves Filho, se “esqueceu” onde estavam R$ 252 mil em em espécie que ele teria declarado ao imposto de renda em 2015.

Ao delegado Maurício Moscardi Grilo, responsável pela Operação Carne Fraca, Rafael Gonçalves disse que “mantinha o dinheiro em espécie, à disposição, sem realizar qualquer aplicação, pois poderia surgir um ‘bom negócio'” e que, em seu imposto de Renda de 2015, declarou que mantinha o valor de R$ 252 mil em espécie “em sua posse”.

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O delegado, então, indagou se ele saberia informar onde está este dinheiro. “Não estava na minha casa?”, respondeu Rafael Gonçalves, que foi preso temporariamente na operação e alvo de mandado de buscas e solto nesta quinta-feira, 23. “Que informado que o dinheiro não estava na sua casa, o declarante informou que uma parte deste dinheiro está no banco; que o declarante não sabe onde dizer onde está a outra parte do dinheiro”, relatou.

No depoimento, ele não explicou a origem destes recursos. Seu advogado Rodrigo Sanchez afirmou que os valores eram decorrentes de doações familiares e investimentos imobiliários de seu cliente.

Suspeita. A PF suspeita que Rafael seria um laranja de seu pai Daniel Gonçalves Filho, apontado como um dos responsáveis por liderar o esquema de corrupção na Superintendência do Mapa no Paraná para liberar lotes de carnes e plantas de produção de frigoríficos em troca de propinas e favores.

Rafael tem pelo menos 6 empresas em seu nome. A principal delas é a Dalchen Gestão Empresarial.O filho do fiscal disse que abriu a Dalchen aos 18 anos, por ter adquirido experiência no setor. Ele foi questionado se ele se considerava um perito no assunto para passar a dar consultoria para empresas de fertilizantes tão jovem.

Ele admitiu que não possuía nenhum curso na área, mas que se considerava um “especialista” pois “tinha ‘contato próximo’ com a empresa Cilla Operadora Portuária”, e que costumava frequentar os barracões desta companhia, onde teria adquirido experiência na área, segundo ele.


“O declarante diz não se recordar se Daniel Gonçalves Filho participou de alguma reunião envolvendo as empresas que contratavam os serviços da Dalchen Gestão Empresarial e outras”, registrou a PF. Ele disse também não ser recordar qual era o faturamento da empresa.

A PF suspeita que as empresas em nome de Rafael eram na verdade de Daniel Gonçalves Filho, e eram usadas para legalizar as propinas recebidas de empresas que ele fiscalizava, por meio de falsos contratos de consultoria.

Rafael disse que as consultorias que ele prestava eram “presenciais, sem laudos ou qualquer outro tipo de manifestação técnica redigida pela empresa”.

O advogado Rodrigo Sanchez, que defende Rafael e Daniel Gonçalves afirmou que não iria comentar as suspeitas da PF.

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Mateus Coutinho, Ricardo Brandt, Luiz Vassallo e Julia Affonso
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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