domingo, 26 de março de 2017

De costas para os eleitores, Congresso articula para 2018 o voto em lista fechada


Imagem: Reprodução / IstoÉ
O Congresso Nacional passa por uma profunda crise de credibilidade tendo boa parte de seus integrantes na berlinda devido a problemas com a Justiça. Enfrenta também o colapso de representatividade, com parlamentares que priorizam seus próprios interesses e viram as costas para os anseios de quem os elegeu. Diante da decadência da imagem, os congressistas deveriam tomar medidas urgentes para sair do fundo do poço. Mas, num piscar de olhos, optam por empunhar uma pá e cavar ainda mais fundo. Na Câmara, eles articulam mudar o método que o eleitor escolherá seu deputado federal já na disputa de 2018. Propõem o voto em lista fechada, assunto que deve ser votado já em maio deste ano.


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Blindagem

Em regras gerais, neste modelo o partido elabora uma seleção de candidatos que pretende eleger. E ao cidadão caberá apenas votar no partido e, consequentemente, ficar ao sabor de sua lista pré-definida. O que move essa iniciativa é o efeito instantâneo que ela causará: uma espécie de blindagem do status quo. Os políticos com maior influência sobre a direção das siglas – seja de que tipo for essa ascendência – encabeçarão o cardápio. Desse modo, vão se perpetuando no poder sem sequer ter de enfrentar o eleitor cara a cara. Quem quiser eleger o segundo da lista, por exemplo, terá que antes botar para dentro do Legislativo o candidato que largar na pole position. Mesmo que o dono do voto deteste aquele aspirante bem relacionado que ocupa o primeiro lugar da seleção. O argumento para dar ares de decência à proposta versa sobre a economia nos custos de campanha. Trata-se de uma insensatez propor o voto em lista em um País em que poucos partidos – ou quase nenhum – têm uma ideologia definida.

O relator deste tema é o deputado do PT Vicente Cândido (SP), que deverá apresentar o texto no dia 4 do mês que vem na comissão que analisa reforma nas regras eleitorais. Mas como desfaçatez pouca é bobagem, o Parlamento resolveu, novamente, desenterrar a proposta de abuso de autoridade. E usaram como ensejo a trapalhada da Polícia Federal com a espetacularização na divulgação da Operação Carne Fraca na semana passada. Além de tudo, como um monstro assassino que sempre volta ao filme de terror para seu último susto, o Congresso retoma o tema de anistia do Caixa 2, um fantasma que continua sobrevoando as cúpulas dos prédios de Oscar Niemeyer.

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Débora Bergamasco
IstoÉ
Editado por Folha Política
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