sexta-feira, 24 de março de 2017

Defesa de Lula quer impedir uso de supostas imagens da condução coercitiva em filme


Imagem: Marcos Alves / O Globo
A defesa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva quer impedir produtores do filme “Polícia Federal - a lei é para todos”, sobre a Operação Lava-Jato, de utilizarem imagens da condução coercitiva do petista que teriam sido gravadas pela Polícia Federal durante a operação, realizada em março de 2016. A gravação, de cerca de duas horas, que incluiria desde a chegada ao edifício onde mora o ex-presidente, teria sido usada pelos produtores do filme para reconstituir as cenas da condução coercitiva.


Em petição ao juiz Sérgio Moro, na noite da última quinta-feira, os advogados de Lula pediram ao New Group Cine & TV LTDA, responsável pela obra, que se abstenha de utilizar gravação do depoimento de Lula. Segundo os defensores, um vídeo do ex-presidente sendo interrogado teria sido cedido pela Polícia Federal à produtora.

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Os advogados lembram na petição que Moro determinou que não o cumprimento do mandato não fosse filmado e, inclusive, que fosse evitada filmagem pela imprensa do deslocamento do ex-presidente para a colheita do depoimento. No relatório apresentado pela Polícia constou apenas que foi gravado o depoimento de Lula, das 8h às 10h35m.

Para a defesa de Lula, as imagens gravadas não podem ser fornecidas para subsidiar a produção de um filme, "objeto completamente estranho à investigação"

Os advogados Roberto Teixeira e Cristiano Zanin solicitaram a Moro que seja decretado sigilo absoluto sobre o vídeo e que seja divulgada a relação de todos os policiais que tiveram acesso ao material.

Eles argumentam que a gravação, no interior da residência de Lula, fere os preceitos éticos, morais e institucionais do Código de Ética Profissional do Servidor Público Civil do Poder Executivo (Decreto nº 1.171/94), que veda "uso de informações privilegiadas obtidas no âmbito interno de seu serviço, em benefício próprio, de parentes, de amigos ou de terceiros".

Foram relacionadas notícias de jornais e revistas que dizem que o filme dará destaque para a cena da condução coercitiva de Lula e sugerem que a obra pretende macular a imagem do ex-presidente num momento que os institutos de pesquisa o apontam em primeiro lugar na disputa presidencial de 2018.

“Uma operação de proporções gigantescas e que envolve centenas de “personagens”, terá como cena principal a reconstituição da condução coercitiva do peticionário (Lula), sobre o qual não pesa condenação judicial em nenhuma instância, em claro juízo de seletividade que visa macular sua imagem perante a sociedade”, diz a defesa do ex-presidente.

O produtor Tomislav Blazic, do filme "Polícia Federal — A lei é para todos", negou nesta sexta-feira que tenha obtido imagens da operação para condução coercitiva de Lula, gravadas pela Polícia Federal.

Blazic disse que não tinha conhecimento do caso até ler a reportagem.

— Não tenho nenhum vídeo da Polícia Federal. Não sei de onde tiraram essa informação. Isso simplesmente não é real — afirmou o produtor. — Ninguém da defesa do Lula entrou em contato. Fiquei sabendo dessa história pela imprensa.

Previsto para entrar em cartaz neste ano (ainda não há uma data definida), "Polícia Federal" traz o ator Ary Fontoura no papel do ex-presidente Lula.

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Gustavo Schmitt e Fabiano Ristow
O Globo
Editado por Folha Política
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