quinta-feira, 9 de março de 2017

Delação explosiva atinge PMDB e PSDB, mas complica ainda mais o ex-presidente Lula


Imagem: Nelson Almeida / AFP
As delações da Odebrecht são esperadas como uma bomba que vai arrastar nomes do PMDB e do PSDB para o centro da Lava Jato, mas também podem ser fatais para o ex-presidente Lula. Dois executivos o identificaram como sendo o “Amigo” que, pelas planilhas de propina da empreiteira, recebeu R$ 8 milhões. A suspeita já existia desde outubro de 2016. A defesa do ex-presidente nega.


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Nos bastidores, há a expectativa de que o petista figure na segunda lista de denunciados do procurador-geral da República, Rodrigo Janot. Como os nomes já ventilados nas delações envolvem senadores, ministros e o próprio presidente da República, Michel Temer, a denúncia da PGR será encaminhada ao Supremo Tribunal Federal (STF). A tendência, porém, é de desmembramento das ações que não envolvam agentes com foro privilegiado.

Nesse caso, a denúncia contra Lula, se confirmada, seria encaminhada ao juiz Sergio Moro, titular da 13.ª Vara Federal do Paraná. A força-tarefa tem outros documentos fazendo menção ao codinome “Amigo”, apreendidas na 14.ª fase, em junho de 2015, quando foram presos Marcelo Odebrecht e outros executivos da empreiteira.

E-mails que foram vazados pelo jornalista Fausto Macedo, do jornal Estado de S. Paulo, mostram negociações com integrantes do governo federal em negócios da Odebrecht e da Braskem – empresa petroquímica controlada pelo Grupo Odebrecht e que tem participação da Petrobras.

Nos e-mails há referências a viagens do “Amigo” para Equador, Peru e Colômbia em 2013, na mesma época que Lula esteve nesses países, conforme agenda do Instituto Lula. Também é citada a sigla EO – referência provável a Emílio Odebrecht, patriarca da empreiteira e muito próximo ao petista. Em mensagens mais antigas, de 2007, há referência nominal ao então presidente: “Quanto ao material sobre investimentos socioambientais pedido pelo pres. Lula está sendo preparado para envio na sexta”, diz a mensagem enviada por Marcelo Odebrecht.

Além do material apreendido e das delações dos 77 executivos da empreiteira, a força-tarefa da Operação Lava Jato conta ainda com o apoio formal da Odebrecht S.A., holding do grupo, a qual se responsabilizou por atos ilícitos praticados em nome de suas controladas. A Braskem S. A. também se comprometeu a ajudar.

Leniência

O apoio foi formalizado nos acordos de leniência assinados em dezembro. “Nos dois acordos, as empresas revelaram e se comprometeram a revelar fatos ilícitos apurados em investigação interna, praticados na Petrobras e em outras esferas de poder, envolvendo agentes políticos de governos federal, estaduais, municipais e estrangeiros”, diz nota divulgada à época pela força-tarefa.

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Rosana Felix
Gazeta do Povo
Editado por Folha Política
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