segunda-feira, 6 de março de 2017

Dirceu recebeu mesada para favorecer telefônica portuguesa, afirma revista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O Ministério Público português investiga se o ex-ministro José Dirceu recebeu, entre março de 2011 e julho de 2014, uma "mesada" de € 30 mil (cerca de R$ 99,3 mil) de um executivo da Portugal Telecom. O objetivo dos pagamentos seria fazer com que Dirceu usasse sua influência junto às autoridades brasileiras para auxiliar a PT, então maior empresa de Portugal, a comprar uma participação na Oi/Telemar. 

As acusações são do procurador Rosário Teixeira no âmbito da Operação Marquês -espécie de Lava Jato lusa - e foram reveladas pela revista "Visão" e pelo jornal "Observador". 

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Dirceu está preso desde agosto de 2015. Ele foi condenado a 23 anos de prisão por esquema de corrupção descoberto na Lava Jato. 

Os periódicos portugueses tiveram acesso ao conteúdo do interrogatório de quatro horas do ex-banqueiro Ricardo Salgado, acusado de comandar o esquema de corrupção na Portugal Telecom. Salgado esteve à frente do BES (Banco Espírito Santo), que era um importante acionista da companhia. 

A suposta atuação de José Dirceu em favor da Portugal Telecom já era citada pelas autoridades portuguesas desde 2015. Agora, no entanto, veio à tona o tamanho do esquema de corrupção. 

Operação Lava Jato 

Para o Ministério Público português, Dirceu se reuniu, em Portugal, com o então presidente do conselho de Administração da PT, Henrique Granadeiro, em um encontro onde eles teriam acertado os detalhes dos repasses. 

Após um primeiro pagamento de € 500 mil (cerca de R$ 1,657 milhão), justificado com um falso contrato de serviços jurídicos, Dirceu começou a receber pagamentos mensais de € 30 mil, ainda de acordo com os investigadores. 

O dinheiro viria de uma offshore ligada ao Banco Espírito Santo —a Espírito Santo Financial, que também aparece em outros esquemas de propina— e seria depositado em uma conta usada exclusivamente para pagar despesas de Dirceu. 

A investigação aponta ainda que a movimentação dos valores era justificada com um contrato com o escritório do advogado João Abrantes Serra, também investigado na Operação Marquês. Luís Oliveira e Silva, irmão de Dirceu e que também foi preso na Lava Jato, estaria ligado ao escritório. 

O banqueiro Ricardo Salgado negou que o dinheiro beneficiasse Dirceu e afirmou que os € 30 mil mensais eram pagamento de honorários advocatícios de um antigo processo judicial relacionado com a invasão de uma propriedade da família. 

Procurado, o advogado de Dirceu, Roberto Podval, afirma que "as informações são absolutamente genéricas e com nenhuma prova" da participação de seu cliente.

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Giuliana Miranda
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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