quarta-feira, 8 de março de 2017

Joesley Batista, da Friboi, tentou comprar silêncio de ex-sócio, diz Procuradoria


Imagem: Paulo Giandalia / Estadão
Para justificar o pedido de prisão de Mário Celso Lopes, ex-sócio da Eldorado Celulose, o procurador Anselmo Henrique Cordeiro Lopes afirmou que o empresário e Joesley Batista, proprietário da Holding J&F, estão “arquitetando meios a fim de influir ou dificultar a investigação” da operação Greenfield. Após a deflagração da primeira fase da operação, a J&F assinou um contrato com a empresa MCL, de Lopes, no valor de R$ 190 milhões. Segundo o MPF, o contrato cujo objetivo é “fornecimento de maciço florestal” teve como finalidade “dissimular a real intenção” de Joesley Batista que era comprar o silêncio do ex-sócio a respeito dos ilícitos ocorridos na criação da empresa Florestal.

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A Polícia Federal e o MPF deflagraram nesta quarta-feira, 8, a segunda fase da Operação Greenfield, que apura fraudes e desvio de recursos em negócios de fundos de pensão com grandes grupos empresariais. A PF cumpre também cinco mandados de busca e apreensão em endereços ligados Lopes e ao filho dele, Mário Celso Lincoln Lopes. Os dois são sócios da Eucalipto Brasil. Conforme os investigadores, as medidas visam a recolher provas de que os envolvidos praticaram crimes como gestão fraudulenta de fundos de pensão que realizaram investimentos no Fundo de Investimentos em Participação (FIP) Florestal. O FIP recebeu aporte de cerca de R$ 550 milhões de Petros (Petrobrás) e Funcef Caixa) e, por isso, é um dos alvos da investigação iniciada em 2014.

As investigações da Greenfield mostraram que Lopes participou da constituição da Florestal S/A (atual FIP Florestal). Na época, o empresário era o principal sócio da MCL Empreendimentos e Negócios, que se aliou à J&F para a formação da companhia que, entre 2009 e 2010,recebeu os aportes financeiros de Petros e Funcef. Ao pedir a prisão de Lopes, o MPF relatou à Justiça a descoberta de movimentações recentes, como a assinatura de contrato de R$ 190 milhões, cujo objetivo seria o de dificultar as investigações.

Inicialmente, o MPF pediu buscas na casa de Joesley Batista, mas voltou atrás. Na primeira fase da Greenfield, já houve buscas em endereços ligados ao empresário. As medidas judiciais foram autorizadas pelo juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal, em Brasília, e estão sendo cumpridas nos estados de São Paulo e Mato Grosso do Sul.

Em novembro do ano passado, após a deflagração da Operação Greenfield, a Eldorado Celulose firmou um contrato de R$ 190 milhões com a Eucalipto Brasil. Menos de um mês após o fechamento do negócio, foi retirada uma cláusula do contrato, o que beneficiou Lopes em detrimento da Eldorado e dos sócios minoritários, Funcef e Petros.

O MPF suspeita que a retirada foi uma articulação com o propósito de “comprar o silêncio” de Lopes, pois ele conheceria as irregularidades envolvendo o recebimento dos recursos dos fundos de pensão. Para os investigadores, as movimentações acionárias e negociações que viabilizaram os investimentos feitos pelos dois fundos de pensão beneficiaram Mário Celso Lopes e seu filho e sócio Mário Celso Lincoln Lopes.

Após a análise do material apreendido nesta quarta-feira, o MPF enviará à Justiça manifestação final sobre o pedido, já feito, de afastar Joesley Batista do comando da holding J&F. O caso será analisado pelo juiz da 10ª Vara.

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Além das buscas e apreensões e da prisão temporária de Mário Celso, o MPF pediu o bloqueio dos bens, ativos, contas bancárias e investimentos pertencentes a Lopes, seu filho e suas empresas. “A intenção com essas medidas é assegurar – em caso de condenação – a recomposição do prejuízo causado aos fundos. Atualmente, o valor está estimado em R$ 1,7 bilhão”, informa o MPF.

A Justiça também aceitou o pedido de afastamento dos sigilos bancário, fiscal, telefônico, telemático de todos os documentos apreendidos na operação.

COM A PALAVRA, A DEFESA

A J&F esclarece que nenhuma das suas empresas foi alvo de busca e apreensão ou qualquer ação policial no âmbito da Operação Greenfield nesta quarta-feira (8).

A empresa reforça que, quanto ao processo que tramita na 10ª Vara Federal de Brasília, seus advogados já entregaram a sua defesa e aguardam novos pronunciamentos do juiz responsável.

O Estado não conseguiu contato com a defesa de Mário Lopes e de seu filho.

A Funcef informou, por meio de assessoria, que não comenta o caso.

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Fabio Serapião e Fabio Fábrini
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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