terça-feira, 21 de março de 2017

Kátia Abreu confessa que nomeou um 'bandido' porque cedeu a pressões políticas


Imagem: Ailton de Freitas / Ag. O Globo
A ex-ministra da Agricultura Kátia Abreu (PMDB-TO) confessou, na tribuna do Senado, que cedeu a pressões políticas, inclusive do seu partido, para nomear Gil Bueno de Magalhães, um “bandido”, “marginal” como superintendente de Agricultura, Pecuária e Abastecimento no Paraná. Demitido pelo ministro Blairo Maggi, o superintendente do Paraná é um dos principais investigados no escândalo da Operação Carne Fraca. No discurso em plenário, Kátia disse que não queria fazer segredos. E contou o processo de nomeação de um indicado que responde a vários processos.


— Esse cidadão que foi nomeado tinha processos administrativos no ministério. E eu nunca vi, em todo o período em que lá estive, e nunca tive notícias de uma pressão tão forte para não tirar esse bandido de lá. E eu tenho que ser sincera, porque são dois deputados do meu partido. Mas insistiram para que a lei não fosse cumprida ao ponto de eu ter que ligar para a presidente Dilma e dizer-lhe da minha decisão de demitir e que as consequências políticas eu ia arcar. Ela, imediatamente, disse: "Demita já! Faça o que tem que ser feito." Mas foram dias de pressão no Ministério, buscando processo para defender esse marginal — confessou Kátia Abreu.

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Ela contou que, como ministra da Agricultura, do PMDB do Senado, as nomeações para as superintendências ela convidou os colegas senadores para indicarem nos seus estados, onde havia parlamentares do PMDB. E assim foi no Pará, no Tocantins e no Paraná. No caso do Paraná, ela disse que o senador Roberto Requião (PMDB-PR) abriu mão para bancada do partido indicar.

— E eu disse ao Senador Requião: ‘se Vossa Excelência não avalizar, eu não vou nomear’. E ele, pressionado e já com o pote cheio de pressão, pediu que os deputados fizessem o que quisessem — disse Kátia Abreu.

Ela, entretanto, defendeu as indicações políticas, alegando que não são todas irresponsáveis. O superintendente do Paraná foi demitido junto com o superintendente de Goiás, Júlio César Carneiro, ligado ao PTB do deputado Jovair Arantes (PTB-GO).

— Eu tive grandes indicações políticas, enquanto lá estive, de estados do Brasil que procuraram o melhor, que procuraram técnico, que procuraram um perfil que tem espírito público. Mas, infelizmente, estamos assistindo que não foi isso que ocorreu lá no estado de Goiás e, principalmente, no estado do Paraná, o grande estado do Paraná que nos orgulha tanto — defendeu-se.

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Maria Lima
O Globo
Editado por Folha Política
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