quarta-feira, 1 de março de 2017

Marcelo Odebrecht vai dizer que Dilma sabia do esquema de propinas, dizem investigadores


Imagem: Evaristo Sa / AFP
De acordo com pessoas que participaram do processo de delação premiada da companhia, nos chamados anexos da colaboração de Marcelo, o executivo afirmou que a ex-presidente tinha conhecimento do esquema e que soube, pelo menos num contrato específico, de desvio de dinheiro da estatal que foi parar no caixa do PT e do PMDB.

Marcelo, que prestará depoimento nesta quarta-feira no processo que corre no Tribunal Superior Eleitoral e pede a cassação da chapa Dilma/Temer, também deve corroborar declarações do ex-marqueteiro da presidente Dilma, João Santana.

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Responsável pelos programas que ajudaram a eleger a petista, João Santana já disse à Justiça que recebeu dinheiro em contas no exterior e que Dilma sabia dos procedimentos ilegais.

Quando for questionado nesta quarta, Marcelo deverá confirmar a versão de Santana. Em seus anexos, ele também diz que Dilma tinha ciência dos pagamentos feitos ao marqueteiro no exterior.

O depoimento de Marcelo será possivelmente um dos últimos na instrução do processo que pede a cassação da chapa Dilma/Temer.

Depois dele, ainda serão ouvidos alguns ex-executivos da empreiteira, entre eles Alexandrino Alencar e Cláudio Melo Filho.

Segundo a delação de Melo Filho, recursos para o PMDB foram negociados por Marcelo Odebrecht diretamente com Michel Temer num jantar no Palácio do Jaburu.

Ainda conforme a delação, ficou combinando que a empreiteira repassaria R$ 10 milhões ao PMDB. Do total, R$ 6 milhões seria destinados a Paulo Skaff, que nega as informações, e os outro R$ 4 milhões ficariam sob a responsabilidade de Eliseu Padilha - que também nega a versão.

Recentemente, em depoimento à Procuradoria-Geral da República, José Yunes, amigo e ex-assessor especial de Temer, corroborou parte da delação de Melo Filho.

O ex-executivo havia dito que o escritório de advocacia de Yunes teria sido palco de repasse de dinheiro vivo da cota de Padilha.

Em seu depoimento, o amigo de Temer confirmou que, apedido de Padilha, um “pacote” foi entregue em seu escritório pelo doleiro Lúcio Funaro, que atualmente está preso.


A expectativa é que o relator Herman Benjamin encerre a instrução após as oitivas e deixe o processo pronto para a apreciação do plenário.

Advogados dos executivos da Odebrecht pediram ao TSE para que os depoimentos de seus clientes permaneçam em sigilo porque o conteúdo de suas delações também está.

Novas nomeações podem salvar Temer

Na Justiça Eleitoral a briga não se dará entre a possibilidade de se condenar ou não a campanha – que a maioria no TSE já acredita ter sido irregular – mas sim na perspectiva de separação das contas de Dilma e de Michel Temer.

Hoje, no TSE, dos sete ministros, três querem separar a chapa, permitindo que Dilma Rousseff seja punida e que Michel Temer siga presidente da República como se sua campanha tivesse sido separada da de Dilma. São eles: Gilmar Mendes, Luiz Fux e Napoleão Nunes Maia Filho.

Nos próximos meses haverá substituições no TSE. Com isso, apesar do voto de Herman Benjamin, que deve ser pela cassação de toda a chapa, o governo terá a chance de indicar novos ministros.

Basta que um deles seja favorável à tese da separação das chapas para que Temer seja liberado para concluir seu mandato.

Outro lado

Quando a delação de Melo Filho foi divulgada, Michel Temer disse que os recursos repassados pela Odebrecht ao PMDB foram legais e corretamente declarados à Justiça Eleitoral.

Procurado pelo BuzzFeed, o advogado Flávio Caetano, da campanha de Dilma, disse que todos os recursos utilizados no pleito foram arrecadados de forma transparente e em respeito à legislação eleitoral. Com todas as informações prestadas ao TSE.

Além disso, Dilma tem negado sistematicamente qualquer malfeito nos casos envolvendo a Lava Jato.

Sua assessoria foi procurada pelo BuzzFeed. Tão logo ela se manifeste, seu posicionamento será publicado neste espaço.

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Severino Motta
BuzzFeed
Editado por Folha Política
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