segunda-feira, 6 de março de 2017

PF quer mais 90 dias para abrir de vez ‘departamento da propina’ da Odebrecht


Imagem: JF Diorio / Estadão
A delegada da Polícia Federal Renata da Silva Rodrigues pediu ao juiz Sérgio Moro a prorrogação por mais 90 dias do inquérito que investiga o “departamento da propina” da Odebrecht, revelado com os avanços da Lava Jato sobre a empreiteira. O pedido tem como base o volume de material apreendido na Operação Xepa – 26.ª fase da Lava Jato deflagrada em 22 de março de 2016 e que desmantelou o Setor de Operações Estruturadas, nome oficial do departamento responsável pelos pagamentos ilícitos da empresa.

“Tendo em vista o término do prazo legal de tramitação do IPL (inquérito policial), e a existência de diligências em curso (análise de material), com o fito de dar cumprimento a cota ministerial, abra-se vista ao Ministério Público Federal, indicando-se a necessidade de adicionais 90 dias para conclusão das investigações”, assinalou Renata. O inquérito apura os crimes de corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo ex-executivos da empreiteira, como o próprio Marcelo Odebrecht.

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Foi na Xepa que a Lava Jato identificou dezenas de apelidos utilizados pela cúpula da empreiteira para se referir a políticos, como “italiano” em referência ao ex-ministro Antônio Palocci, acusado de atuar para favorecer os interesses da empresa no governo federal. Cabe a Moro decidir se acata ou não o pedido para dar mais prazo para as investigações, que podem decifrar ainda outras dezenas de apelidos.

Na Operação Xepa, cerca de 380 policiais federais cumpriram 110 ordens judiciais nos Estados de São Paulo, Santa Catarina, Pernambuco, Minas, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Piauí, Bahia e também em Brasília.

Em consequência da operação, e diante da forte possibilidade de seus principais executivos ficarem na cadeia por muitos anos, a maior empreiteira do País acabou decidindo colaborar com as investigações e fechou acordos de colaboração premiada e de leniência no Brasil, EUA e Suíça, já homologados pelas autoridades.

Agora, independente das delações premiadas que tramitam perante o Supremo Tribunal Federal, a força-tarefa dos investigadores em Curitiba segue aprofundando as investigações sobre a complexa rede de distribuição de propina articulada pela empreiteira que envolvia doleiros, offshores e operadores do mercado financeiro no exterior.

Xepa foi deflagrada com base na delação premiada da secretária Maria Lúcia Tavares, que atuava no departamento da propina e foi a primeira funcionária do grupo empresarial que colaborou com as investigações. Ela foi detida na operação Acarajé, 23.ª fase da Lava Jato, que começou a avançar sobre os pagamentos ilícitos da empreiteira, junto com os marqueteiros das campanhas de Lula (2006) e Dilma (2010 e 2014), João Santana e Mônica Moura.

O casal estava entre os nomes que apareciam nas planilhas da propina da empreiteira e já foi condenado pelo juiz Moro no dia 2 de fevereiro deste ano por corrupção e lavagem. Atualmente eles negociam um acordo de colaboração premiada com o MPF.

Além dos marqueteiros, a PF quer aprofundar as investigações sobre outros destinatários dos pagamentos da empreiteira e sobre o funcionamento da rede que fazia entrega de dinheiro em espécie e incluía até casas de câmbio, tudo por meio de códigos e controlado por planilhas de contabilidade.

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Mateus Coutinho, Julia Affonso e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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