quarta-feira, 1 de março de 2017

Políticos temem novas revelações com 'corrida dos intermediários' às autoridades da Lava Jato, relata jornalista


Imagem: Montagem / Folha Política
A jornalista Andreia Sadi, da Globonews, aposta em uma "corrida dos intermediários" às autoridades da Lava Jato. Segundo Sadi, políticos em Brasília estão aterrorizados com a possibilidade de personagens menores entregarem o que sabem para salvar a própria pele. 

Leia abaixo o texto de Andreia Sadi: 

Às vésperas do início do carnaval, o bloco do "cada um por si" pegou Brasília de surpresa.
Ao Ministério Público, José Yunes, advogado e amigo de Michel Temer, disse que foi uma "mula involuntária" de Eliseu Padilha em 2014. Segundo a sua versão, o hoje ministro da Casa Civil teria lhe pedido em 2014 que recebesse um pacote em seu escritório em São Paulo.
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Assim foi feito, disse Yunes aos procuradores, e quem entregou o envelope foi Lúcio Funaro, o notório doleiro que hoje está preso pela Lava Jato. Mas, segundo Yunes, ele não sabia à época que Funaro era Funaro. E nem o que havia no tal pacote. 
O depoimento não foi surpresa para Temer. Desde dezembro o presidente sabia da intenção do amigo. Mas a divulgação das informações prestadas por Yunes agora, às vésperas de virem a público as delações da Odebrecht, é nitroglicerina pura para o governo.
Mais que isso: na avaliação de políticos, é a sinalização do começo de uma "corrida de intermediários" às autoridades da Lava Jato - personagens sem foro privilegiado e que parecem laterais no enredo da operação, mas que possuem arsenal suficiente para causar estragos políticos ao núcleo protagonista do Planalto.
A aliados de Temer que se mostraram espantados com a ação de Yunes que coloca a permanência de Padilha no governo em dúvida, amigos do advogado explicam que a estratégia era simples: ou ele se salvaria ele ou o ministro. E ele optou por si. 
Por isso, afirmam, Yunes se antecipou: cravou a sua versão - mesmo que isso signifique desestabilizar o principal ministro do governo do amigo de mais de 50 anos. 
Para parlamentares da base aliada, o movimento de Yunes deve provocar  um verdadeiro efeito dominó com outros personagens da Lava Jato. 
Outro exemplo citado nos bastidores por políticos após o episódio de Yunes é o de integrantes do entorno do ex-governador Sergio Cabral - hoje preso em Bangu - que também já têm se prontificado a ajudar os investigadores. 
A avaliação é que, após as delações dos grande empreiteiros, será a vez de ex-auxiliares, assessores e operadores do entorno de políticos - com ou sem foro - roubarem a cena e, temendo virarem alvos da primeira instância, abrirem alas ao anteciparem suas versões aos investigadores da Lava Jato.

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Luciana Camargo
Folha Política
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