segunda-feira, 20 de março de 2017

Quase 70 milhões de votos foram obtidos em campanhas 'anabolizadas'


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A pré-lista vazada das delações que foram entregues pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, ao relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Edson Fachin, mostra que, dentre candidatos a governos estaduais, ao Senado e à Câmara, eleitos ou não, o país está diante de quase 70 milhões de votos obtidos em campanhas “anabolizadas” pela propina da Odebrecht. Até o momento, apareceram nas delações da Odebrecht seis candidatos a governador — o número pode chegar ao dobro disso —, 11 senadores e 7 deputados federais. Todos eles são citados nos depoimentos dados por ex-executivos das empreiteiras como beneficiários de doações oriundas de propina, seja por meio do caixa 2 ou em doações legais declaradas ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).


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O levantamento feito pelo jornal Correio Braziliense, com base no desempenho eleitoral dos políticos nos mais recentes pleitos que disputaram, não leva em conta as eleições presidenciais de 2014. Se o desempenho de Dilma Rousseff (PT) e Aécio Neves (PSDB) — ambos também sob investigação na Lava-Jato — fosse levado em conta, o total de votos sub judice subiria para mais de 170 milhões de votos. Votos, não eleitores, porque o paulista que votou em Aécio Neves para presidente, provavelmente votou em Alckmin para o governo estadual e em José Serra para o Senado.

“Essa situação é ruim porque aumenta o nível de descrédito da população brasileira com a democracia e as instituições”, lamentou o professor de Ciência Política da Unicamp Milton Lahuerta. Ele lembra que o desgaste não é atual e reforça a polarização no debate político, que se transformou em conflituoso e belicoso. “No momento em que os atores políticos não são mais capazes de conduzir os fatos, os fatos passam a atropelar os agentes políticos”, afirmou.

Lahuerta acredita que a desqualificação da atividade política não ajuda a nossa incipiente democracia. E agrava os esforços dos eleitos para buscar a autosobrevivência. “Você deixa de ter partidos e políticos com projetos claros de um país e passa a multiplicar legendas e candidatos preocupados com a autorreprodução”. Isso justificaria, segundo ele, a montagem de esquemas ilegais de financiamento eleitoral.




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Paulo de Tarso Lyra 
Correio Braziliense
Editado por Folha Política
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