quinta-feira, 16 de março de 2017

Temer pedirá ao STF divulgação de citados nas delações da Odebrecht


Imagem: Jorge William / Ag. O Globo
Em jantar com a bancada do PMDB no Senado na noite desta quarta-feira, o presidente Michel Temer disse que determinou à advogada-geral da União, Grace Mendonça, que solicite formalmente ao ministro Edson Fachin, relator da Lava-Jato no Supremo Tribunal Federal (STF), a liberação imediata dos nomes de todos os citados nas delações da empreiteira Odebrecht.


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Causou mal-estar ao governo e aos peemedebistas o que consideram vazamentos seletivos de nomes de políticos envolvidos no esquema de corrupção da Petrobras. Durante o encontro, os parlamentares citaram nomes que consideram aleatórios, como o das senadoras Marta Suplicy (PMDB-SP) e Lídice de Matta (PSB-BA):

— O que estão fazendo com os vazamentos é como cravejar uma pessoa a bala, mas não matá-la, e sim deixá-la sangrando — afirmou um senador presente ao jantar.

Um assessor presidencial explicou que a AGU tem o poder de pedir informações relacionadas a servidores do Executivo, ou seja, ministros e funcionários da União. No entanto, o governo avalia que, pela relevância do tema e pelo impacto que ele tem no momento político, o ideal seria que Facchin liberasse tudo o mais rápido possível.

AFAGOS A RENAN E KÁTIA ABREU

O jantar serviu a Temer para afagar dois peemedebistas rebeldes: o líder do partido no Senado, Renan Calheiros (AL), e a senadora Kátia Abreu (TO), aliada da petista Dilma Rousseff.

Temer fez questão de sentar-se ao lado de Renan, a quem fez vários elogios. Lembrou o "pulso"do correligionário na votação do projeto que instituiu o teto de gastos públicos, no fim do ano passado. Renan estava na Presidência do Senado e garantiu quórum até a aprovação da matéria.

Nos últimos dias, Renan tem feito críticas das mais diversas ao governo, desde equívocos na reforma da Previdência até declarações de que Eduardo Cunha, mesmo preso, tem muito poder na gestão Temer.

Quanto à Kátia, a ex-ministra da Agricultura de Dilma chegou ao evento imaginando se tratar de uma reunião de trabalho sobre a reforma da previdência. Quando percebeu se tratar de uma confraternização, ficou deslocada. Segundo relatos, Temer percebeu e fez questão de integrÁ-la e tecer elogios ao seu estilo de trabalho.

— Temer é muito habilidoso. Kátia logo se sentiu em casa — comentou um integrante da bancada.

Além de Renan, sentaram na mesa de Temer o ex-presidente José Sarney, o presidente do Senado, Eunício Oliveira, e os senadores Jade Barbalho (PA), Rose de Freitas (ES), e Helio José (DF).

DEFESA DA POLÍTICA ECONÔMICA

Segundo relatos de senadores e ministros que estiveram no jantar, Temer estava especialmente animado por causa da mudança de rating do país pela Moody's.

A agência de classificação de risco alterou a perspectiva do rating do Brasil de negativa para estável. A nota foi mantida em Ba2, com perspectiva de crescimento da economia entre 0,5% e 1% para este ano, ganhando força gradualmente. Em linhas gerais, isso significa que a nota de crédito do país não deve ser alterada no curto prazo, mas também não sofre o risco de um novo corte.

Temer comentou com os peemedebistas que seu governo estava tendo resultados efetivos na economia e que uma melhora no cenário é o que busca deixar de legado de seus menos de dois anos de gestão. Neste contexto, reforçou a necessidade de os senadores apoiarem a reforma da previdência, por mais dura e complexa que seja. Ressaltou que a viabilidade das contas públicas a médio prazo depende da aprovação das mudanças no sistema de aposentadoria e de pensões.

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Simone Iglesias
O Globo
Editado por Folha Política
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