sábado, 11 de março de 2017

Teste de mísseis foi ensaio para atacar base dos EUA, diz Coreia do Norte


Réplicas de mísseis norte-coreanos e sul-coreanos
são vistas no Museu da Guerra da Coreia em Seul
Imagem: Ahn Young-joon / AP
Os Estados Unidos anunciaram nesta segunda-feira (6) que começaram a montar um escudo antimísseis na Coreia do Sul, um dia depois que o regime norte-coreano disparou quatro mísseis balísticos contra o mar do Japão.

O comandante da divisão do Pacífico das Forças Armadas dos EUA, Harry Harris, disse que o ataque do regime de Kim Jong-un só reforçou a necessidade do sistema de destruição de foguetes.


As primeiras peças chegaram nesta terça (noite de segunda no Brasil) à base militar de Osan, a 64 km de Seul, e deverão ser levadas para Seongju, onde será instalado.

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O chamado THAAD é capaz de destruir mísseis em um raio de até 200 km de sua localização, o que poderá proteger sul-coreanos e também japoneses de potenciais investidas norte-coreanas.

O sistema antimísseis, no entanto, pode levar os EUA a uma crise militar também com a China e com a Rússia.

Na semana passada, Pequim fechou 20 lojas de departamento de um grupo sul-coreano em retaliação à aprovação pelas autoridades de Seul da instalação do escudo. Em resposta ao início da instalação, o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores chinês advertiu que o país "tomará as medidas necessárias para defender seus interesses em relação à segurança".

ENSAIO

A chegada do THAAD deverá aumentar mais a tensão às vésperas dos exercícios militares dos EUA com a Coreia do Sul. Nesta terça (7), a Coreia do Norte anunciou que o teste de mísseis foi um ensaio para um eventual ataque às bases americanas no Japão.

A agência de notícias estatal KCNA confirmou se tratar de uma retaliação. "No coração dos homens da artilharia havia o desejo ardente de retaliar sem misericórdia os belicistas que fazem seus exercícios conjuntos de guerra."

Segundo a agência, o ditador Kim Jong-un supervisionou o teste. Horas mais tarde, o embaixador do país na ONU, Ja Song-nam, disse que os exercícios "levarão a Península Coreana e o nordeste da Ásia ao desastre nuclear".

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Para ele, o uso de submarinos e bombardeiros nucleares pelos americanos "podem levar a uma guerra real" e deixam a região "à beira de uma guerra nuclear". O representante pediu ainda que a ONU condene os exercícios militares.

Este é o segundo teste de mísseis balísticos norte-coreano em menos de um mês. A reincidência fez com que EUA e Japão pedissem uma reunião do Conselho de Segurança da ONU, que deverá acontecer na próxima quarta (8).

A intenção é aprovar novas sanções ao regime por descumprir a resolução que impede o país de realizar estes ataques. O último reforço nas punições ocorreu em novembro, dois meses depois do último teste nuclear de Pyongyang.

Outro agravante pode ser se for provado que o país produziu o gás VX, uma arma química de destruição em massa, para matar Kim Jong-nam, meio-irmão do ditador, na Malásia.

A reação à nova ameaça de Kim Jong-un foi discutida pelo presidente americano, Donald Trump, em telefonemas ao primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, e ao presidente em exercício da Coreia do Sul, Hwang Kyo-ahn.

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Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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