sábado, 1 de abril de 2017

Ação contra mulher de Cunha aguarda cooperação jurídica internacional


Imagem: Geraldo Bubniak / Ag. O Globo
Enquanto o deputado cassado Eduardo Cunha foi condenado pelo juiz Sérgio Moro, em decisão tomada anteontem, o processo contra a jornalista Cláudia Cruz, sua mulher, tramita devagar na Justiça Federal de Curitiba. A ação aguarda cooperação jurídica internacional entre Brasil, Suíça e Singapura — países onde ficavam as contas que, segundo as investigações da Lava-Jato, seriam abastecidas com propina e eram vinculadas aos cartões de crédito utilizados pela jornalista. Ela fez gastos em lojas de grife e bens de luxo no exterior. Cruz é acusada de lavagem de dinheiro e evasão de divisas.


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A tese da defesa da jornalista é de que a ré desconhecia a origem dos recursos das contas vinculadas aos seus cartões de crédito. O advogado Pierpaolo Bottini arrolou três testemunhas no exterior. Uma delas é Chiam Shu Xin Cindy, que figurou como secretária da offshore Netherton Investment, de Singapura. Essa empresa foi usada para abrir uma das contas de Cunha em bancos na Suíça.

Também serão ouvidos Patricia Glassey e Carlos Abramowitz. A primeira é gerente do banco Merryl Linch, onde foram mantidas as contas de Cruz e os trusts atribuídos a Cunha. Abramowitz é o assessor financeiro responsável pela revisão dos documentos de abertura de contas.

A audiência deve ocorrer entre os dias 4 e 5 de maio numa corte do país asiático. As perguntas serão encaminhadas pela defesa à Suíça e à Singapura, onde os depoimentos serão tomados, traduzidos e enviados de volta a Curitiba.

Cruz virou ré na Lava-Jato em junho do ano passado. De acordo com os investigadores, há indícios de que parte da propina desviada da Petrobras abasteceu contas no exterior em nome de off-shores e trusts usados para pagar cartões de crédito internacional utilizados por Claudia Cruz.

Para a força-tarefa da Lava-Jato, ela tinha plena consciência dos crimes que praticava sendo a única controladora da conta em nome da offshore Köpek, na Suíça, por meio da qual pagou despesas de cartão de crédito no exterior. Entre 2008 e 2014, ela gastou mais de US$ 1 milhão. O gasto, de acordo com a denúncia do MPF, “totalmente incompatível com os salários e o patrimônio lícito” dela e de Cunha. Quase a totalidade do dinheiro depositado na Köpek (99,7%) teve origem em contas pertencentes a Eduardo Cunha.

As investigações apontam que “por meio da mesma conta Köpek a acusada também se favoreceu de parte de valores de uma propina de cerca de US$ 1,5 milhão que seu marido recebeu para 'viabilizar' a aquisição, pela Petrobras, de 50% do bloco 4 de um campo de exploração de petróleo na costa do Benin, na África, em 2011". A defesa de Cláudia Cruz afirmou que não houve ocultação de recursos.

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Gustavo Schmitt
O Globo
Editado por Folha Política
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