quarta-feira, 12 de abril de 2017

Advogado de Lula mostra total desconexão com a realidade e diz que delações inocentam o ex-presidente


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O advogado de Lula, Cristiano Zanin Martins, divulgou uma nota delirante em que afirma que as delações de executivos da Odebrecht inocentam o ex-presidente. A nota menciona a lista de Fachin, divulgada ontem, e também "vazamento ilegal e sensacionalista das delações". Os vídeos das delações foram divulgados oficialmente pelo STF, após o levantamento do sigilo. Embora seja possível que o advogado apenas não tenha atualizado o texto, a página de Lula no Facebook divulgou o texto novamente por volta das 20:30, quando não era mais possível falar em "vazamentos ilegais". 




Zanin diz que o "objetivo espúrio pretendido pelos agentes envolvidos" é "manchar a imagem de Lula e comprometer sua reputação". Uma vez que os vídeos divulgados são os oficiais das delações, só se pode concluir que, para Zanin, os "agentes envolvidos" sejam todos: membros da Polícia Federal, do Ministério Público, do STF e da Odebrecht, todos envolvidos em uma grande conspiração com o único objetivo de prejudicar Lula.

Enquanto todo o país se choca com os depoimentos, devastadores para Lula, Zanin tenta ainda insistir no discurso de que "não há provas, apenas convicções", inventado e repercutido pela militância petista na tentativa de convencer os incautos. 

Leia abaixo a íntegra da nota de Zanin: 

A imprensa dedicou hoje inúmeras manchetes às delações que o Ministério Público Federal negociou com executivos do Grupo Odebrecht e, como tem ocorrido, o ex-Presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi o destaque da maioria delas. O vazamento ilegal e sensacionalista das delações, nos trechos a ele referentes, apenas reforça o objetivo espúrio pretendido pelos agentes envolvidos: manchar a imagem de Lula e comprometer sua reputação. Mas o que emergiu das delações, ao contrário do que fez transparecer esse esforço midiático, é a inocência de Lula - ele não praticou nenhum crime.
É nítido que a Força Tarefa só obteve dos delatores acusações frívolas, pela ausência total de qualquer materialidade. O que há são falas, suposições e ilações - e nenhuma prova. As fantasiosas condutas a ele atribuídas não configuram crime.
Desde 4 de março de 2016. o ex-Presidente passou a ser vítima direta de sucessivas ilegalidades e arbitrariedades praticadas no âmbito da Operação Lava Jato para destruir sua trajetória, construída em mais de 40 anos de vida pública. Lula já foi submetido à privação da liberdade sem previsão legal; buscas e apreensões; interceptações telefônicas de suas conversas privadas e divulgação do material obtido; e levantamento dos sigilos bancário e fiscal, dentre outras medidas invasivas.  
A despeito de não haver provas, o ex-Presidente foi formalmente acusado, apenas com base em “convicções”. Depois de 24 audiências em Curitiba e a oitiva de 73 testemunhas apenas em um dos processos, salta aos olhos a inocência de Lula. Ao final dessa nova onda, o que sobrará é o mesmo desfecho melancólico vivido pelo senador cassado Delcídio do Amaral: caíram por terra suas teses. Delcídio aceitou acusar o ex-Presidente em troca da sua liberdade e depois foi desmentido por testemunhas ouvidas em juízo, quando então não podiam mentir.
Cristiano Zanin Martins - advogado de Luiz Inácio Lula da Silva 

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Luciana Camargo
Folha Política
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