terça-feira, 4 de abril de 2017

Delator de Sérgio Cabral revela engenhosa rede de comunicação paralela


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Um dos delatores do esquema de propinas atribuído ao ex-governador do Rio Sérgio Cabral (PMDB), o doleiro Marcelo Chebar revelou à Procuradoria da República detalhes de como operava uma engenhosa rede de comunicação paralela para tratar de vantagens indevidas para o grupo do peemedebista. Marcelo e seu irmão Renato Chebar controlavam contas secretas de Cabral no exterior, afirma a Procuradoria.


O depoimento foi prestado em 24 de janeiro deste ano. Marcelo Chebar relatou que ‘ligações telefônicas , por meio de telefones celulares eram raramente utilizadas’.

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“Quando se fazia uso dos mesmos utilizavam-se telefones pré-pagos, adquiridos em camelódromos, sem cadastro na Anatel ou nas operadoras, que eram descartados a cada 15 ( quinze dias); Que em camelódromos também eram adquiridos modens de acesso à internet (30 ou 40), também sem qualquer cadastro, para possibilitar o acesso à internet; Que tais modens eram usados pois, além da segurança de conexão, não era necessária muita velocidade de acesso à internet para fazer as transações, pois envolviam, basicamente, ordens de recolhimento e entrega de valores em texto (ex: “pegar 1 milhão no endereço xxxx”)”, relatou Marcelo Chebar.

O delator contou que ‘para evitar a interceptação de comunicações telemáticas também eram utilizadas conexões VPN (virtual private tunnel)’. VPN é uma rede de comunicação particular virtual.

“Outra forma de comunicação é salvar mensagens na pasta “rascunho ” de algum e-mail pré-ajustado, e duas pessoas entrarem compartilhando a senha; Que tal forma de comunicação evita o trânsito e envio de mensagens; Que há aparelhos no mercado que a disponibilizam criptografia no próprio aparelho celular; que tais aparelhos quando conectados a algum dispositivo de extração de dados se autodestroem queimando todo o hard disk”, revelou Marcelo Chebar.

A engenharia criada para o esquema se comunicar atingia também computadores. O doleiro contou que havia um ‘programa de computador (software) de preferência’: um encriptador de mensagens multiplataformas.

À Procuradoria da República, o doleiro-delator afirmou também que ‘as formas de comunicação frequentemente utilizadas’ por ele ‘eram por meio de aplicativos de celular e programas de computador que criptografavam seu conteúdo’. Segundo Marcelo Chebar, eram usados aplicativos que ‘permitiam a troca de comunicações de forma criptografada, bem como pelo fato de que possibilitava que as mensagens se auto-destruíssem’.

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Julia Affonso, Fausto Macedo e Ricardo Brandt
O Estado de S. Paulo
Folha Política
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