terça-feira, 11 de abril de 2017

Delator gravou Sérgio Côrtes tentando convencê-lo a não fazer delação


Imagem: Reprodução
O novo delator da Lava-Jato no Rio, Cesar Romero, gravou Sérgio Côrtes (foto) pedindo que ele excluísse alguns de seus crimes de uma eventual delação. Côrtes foi avisado por Marco Antônio Cabral, filho de Sérgio Cabral, de que Romero fazia uma colaboração.

O delator também entregou ao MPF a gravação da câmera do hall de seu escritório, onde se deu a conversa, dias antes de ele assinar a delação com os procuradores.


Em outra situação, Côrtes também ofereceu, por meio de um intermediário, que o advogado de Romero fosse pago por ele e pelo empresário Miguel Iskin.

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Leia abaixo a conversa gravada:

SÉRGIO CÔRTES: Essas duas semanas aí, o próprio Marco Antônio [FILHO DE SÉRGIO CABRAL]: “César tá delatando… você tá sabendo disso, né?”. Eu falei: “Tô, tá todo mundo já falou...Cesar tá delatando...”.
CÉSAR ROMERO: Eu não tô delatando...
SÉRGIO CÔRTES: Não, tô te falando, César tá delatando, não sei o que, parara… tá bom… vou fazer o que… eu já tinha decidido fazer, né? Fiz essa decisão quando soube da história do Carlos. Agora, não tem jeito. Vou fazer. E você já estava fazendo...
CÉSAR ROMERO: Mas eu não tô fazendo delação...
SÉRGIO CÔRTES: Peraí, César… você já estava fazendo, aí foi quando eu falei pro Júnior [SERGIO EDUARDO VIANNA JUNIOR – CUNHADO DE SERGIO CORTES E PRIMO DE CÉSAR ROMERO]: “Júnior, o ideal é que pelo menos a gente tenha alguma coisa parecida… porque se ele falar de A,B,C,D e eu falar de C, D, F, G, fudeu, porque A e B eu não falei e F e G ele não falou”...
CÉSAR ROMERO: Olha só… eu fiz uma delação Secretaria e não fez nada no INTO… você não pode ser infantil, Sérgio...
SÉRGIO CÔRTES: Eu sei mas o INTO, cara, é o pós secretaria, porque antes da secretaria, eu tinha uma coisa muito limitada no INTO...
CÉSAR ROMERO: Então tem que entregar essa coisa muito limitada, que que era só uma mesada? Era só uma mesada. Mas tem que ter alguma coisa. Os cara querem uma história verossímil. Não adianta eu contar a história da carochinha pros caras que os caras não acreditam...
SÉRGIO CÔRTES: Sabia que só tem uma notícia boa nessa aí… notícia boa porque eu acho, né? O Júnior me falou que o Cláudio falou: “porra cês tinham que estar com mesmo advogado que não sei o que, parara, parara…” eu tinha entendido quando tive com ele que tava tentando levar o Miguel [MIGUEL ISKIN] para fazer a colaboração… Miguel não quer fazer, disse que não vai fazer, ele se nega, não sei o que parara, parara… não sei que lá...ele falou: “Não posso fazer pra você e pro Miguel, não tem como, não sei o que” mas ele falou, que como nós dois somos delatores, é pra nós dois fazermos juntos, ele disse…
CÉSAR ROMERO: Sinceramente, não sei se isso é factível ou não…
SÉRGIO CÔRTES: Não, ele já falou…
CÉSAR ROMERO: Quem falou?
SÉRGIO CÔRTES: O Mirza [FLÁVIO MIRZA]. Ele falou: “Eu posso advogar pra vocês dois porque vocês não vão contar histórias díspares… entendeu, então... vocês vão delatar a mesma coisa, as mesmas histórias, as mesmas coisas, que é o que a gente vai combinar, entendeu… de grana, não vamos dizer o que a gente recebeu… se não fudeu… porque é o que a gente tem que devolver… ele até falou: [inaudível]
CÉSAR ROMERO: Vocês estão na fase de negociar benefícios, essas coisas?
SÉRGIO CORTES: Que isso, cara… A primeira vez, a primeira reunião foi hoje…. Eu não fui, foi ele com o procurador… e eu falei que pode dizer pra ele que eu tive contato com o César..
CÉSAR ROMERO: Dizer pra quem?
SÉRGIO CORTES: Pro procurador… “acho besteira você não ir”…
CÉSAR ROMERO: Qual o nome?
SÉRGIO CÔRTES: Leonardo [LEONARDO FREITAS], o chefe, que foi orientado, orientando dele no doutorado...
CÉSAR ROMERO: Eu acho que tem que falar tudo… tudo… porque, pelo seguinte...
SÉRGIO CORTES: Como é que eu vou falar de não sei que… César, a gente não sabe…como é que prova? Isso não é prova.
CÉSAR ROMERO: Tá, aí tem crime, crime da evasão… você, eu, … mas quem se fode sou eu porque eu era o gestor, né… em tese, eu que era o operador… foi feita uma licitação, a empresa pra participar da licitação… empresa nacional vinha e botava 1 milhão e 100...
SÉRGIO CORTES: Aham
CÉSAR ROMERO: Aí a empresa internacional vinha e cotava 1 milhão porque ela tinha que pegar o preço dela que custava 500 e agregar aos impostos… pra participar da licitação… ela ganhou com preço de... 1 milhão… tá….quem importou foi a Secretaria de Estado...
SÉRGIO CÔRTES: Aham
CÉSAR ROMERO: E a secretaria de Estado tinha que pagar a ela sem os impostos e pagou com os impostos… ou pagava ela com os impostos e ela trazia os equipamentos, na entrada do equipamento no país, recolhia os impostos… aqui tem crime fiscal… eu vou dizer que eu não sabia… que eu via, que passava...
SÉRGIO CÔRTES: Não, não. Você vai dizer, você vai falar sobre isso?
CÉSAR ROMERO: Não. Mas você não acha que os caras não vão perguntar?
SÉRGIO CÔRTES: Não vão. Como, César?! César, me explica como é que eles vão saber quais são os processos que o Miguel participou se ele não tava… acho que a gente tinha que pegar os processos sobre os caras que “participou”...
CÉSAR ROMERO: Ele nunca participou na secretaria…
SÉRGIO CÔRTES: Então. Por isso que tô entregando o Miguel [MIGUEL ISKIN] na UPA, não sei o que, parara parara… mas como é que foi feito?… foi feito assim, assim, assado.

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Guilherme Amado
O Globo
Editado por Folha Política
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