domingo, 30 de abril de 2017

Dono da Andrade Gutierrez vai depor sobre suspeita de propina a Aécio e Cunha


Imagem: Dida Sampaio / Estadão
Citado em delação premiada da Odebrecht como representante da Andrade Gutierrez em negociação de propina relacionada às obras da Usina Hidrelétrica de Santo Antônio, no Rio Madeira, o dono da construtora, Sérgio Andrade, será ouvido por investigadores da Operação Lava Jato. Segundo um dos delatores, ele tratou pessoalmente de pagamentos que seriam direcionados ao senador Aécio Neves (PSDB-MG) e ao deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB-RJ).

Principal acionista da empreiteira, Sérgio até agora está imune pelo acordo fechado pela empresa com o Ministério Público Federal (MPF). Após a delação da Odebrecht, porém, algumas empreiteiras – incluindo a Andrade Gutierrez – estão sendo chamadas para uma espécie de “recall” para explicar episódios que não foram contemplados nos primeiros depoimentos.

Segundo pessoas próximas a Sérgio, ele se antecipou a uma convocação oficial dos procuradores, considerada inevitável, para explicar a questão de Santo Antônio, que não fez parte do acordo inicial da empreiteira. O executivo pediu espontaneamente para prestar esclarecimentos. Segundo essas fontes, Sérgio não tinha conhecimento de todo o assunto relacionado à Santo Antônio, mas conversou sobre possíveis pagamentos a políticos com Marcelo Odebrecht.

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Em sua delação, Marcelo afirmou que fazia reuniões frequentes com Aécio em razão do papel da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig), que era sócia da usina, e que Sérgio participava desses encontros. Na época, Aécio era governador de Minas e a Andrade Gutierrez, acionista da Cemig. 

Pelas delações, no entanto, o envolvimento de Sérgio ia além das reuniões de negócios. O ex-presidente da Odebrecht Energia Henrique Valladares disse que comunicava pessoalmente Sérgio sobre os pagamentos a serem feitos pelo consórcio a políticos e que o executivo dava o seu aval. A Andrade e a Odebrecht eram sócias no consórcio construtor da usina na proporção de 40% e 60%, porcentual usado para dividir o valor a ser pago por cada uma. “Minhas conversas em geral eram com o doutor Sérgio Andrade, que é tão dono da Andrade Gutierrez quanto Emílio é da Odebrecht”, afirmou Valladares.

A Procuradoria-Geral da República investiga, com base nas delações, o pagamento de R$ 50 milhões em benefício de Eduardo Cunha, que teria atuação em Furnas. A estatal era sócia do empreendimento de Santo Antônio com 40% de participação. Em seu depoimento, Valladares disse ter sido informado pelo chefe, Marcelo Odebrecht, de que outros R$ 50 milhões seriam destinados a Aécio.

A delação de Valladares foi a base para um dos inquéritos que hoje tramitam no Supremo Tribunal Federal contra o senador. Nele, o MPF alega que o pagamento de vantagens indevidas ao senador e ao PSDB foi feito em conluio com a Andrade com o objetivo de obter ajuda nas usinas do Rio Madeira. “Nesse contexto, o colaborador Henrique Valladares esclarece que os valores pagos em cada prestação giravam em torno de R$ 1 milhão a R$ 2 milhões, sendo implementados por meio do Setor de Operações Estruturadas, identificando-se o beneficiário pelo apelido ‘Mineirinho’” – codinome atribuído a Aécio. 

Acordo. Advogados disseram que a acusação feita por Valladares é grave porque, no acordo feito pela Andrade com a Lava Jato, somente executivos da empresa assumiram a responsabilidade pelos atos de corrupção, deixando os sócios de fora. A estratégia de defesa de Sérgio será a de que ele não tinha todas as informações sobre a usina para que pudesse colaborar. Além disso, existe a intenção de desqualificar a delação de Valladares.

Defesas. Em nota, a assessoria do senador Aécio Neves afirmou que em nenhum momento o delator Henrique Valladares disse que o tucano recebeu propina e que Marcelo Odebrecht negou haver contrapartidas às doações eleitorais. “As obras das usinas foram licitadas e conduzidas pelo governo federal, do PT, não havendo, portanto, nenhuma participação do governo de Minas”, disse a nota. O advogado de Aécio, Alberto Toron, afirmou que seu cliente nega que tenha recebido propinas.

A defesa de Eduardo Cunha não se manifestou. Por meio de sua assessoria, a Andrade Gutierrez disse que continua colaborando com a Justiça.

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Josette Goulart
O Estado de S.Paulo
Editado por Folha Política
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