quinta-feira, 20 de abril de 2017

Obra da usina de Santo Antonio só começou após propina, diz delator


Imagem: Reprodução / Wikipedia
O ex-executivo da Odebrecht Henrique Valladares afirmou em depoimento que pagou propina de R$ 3 milhões a um ex-conselheiro do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para que as obras da hidrelétrica de Santo Antonio (RO) pudessem começar.


Valladares é um dos ex-executivos da Odebrecht que fecharam acordo de delação premiada no âmbito da Operaçao Lava Jato. Ele deu a informação ao prestar depoimento ao Ministério Público Federal.

O G1 buscava contato com a assessoria do FGTS até a última atualização desta reportagem.

A delação

Durante o depoimento, Henrique Valladares relatou aos investigadores que, em 2008, a Odebrecht estava com tudo pronto para começar as obras da hidrelétrica mas precisava, antes, "fechar a equação" financeira, que implicava em um rombo de R$ 1,5 bilhão no projeto.

Para conseguir os recursos, disse o delator, seria vendido R$ 1,5 bilhão em debêntures, papéis da dívida de um empreendimento comprados por investidores.

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De acordo com Valladares, o responsável pelo setor financeiro da concessionária de Santo Antonio, identificado somente como Rogério, sugeriu a ele que o FI-FGTS, fundo de investimentos do FGTS, poderia comprar esses papeis. Mas, para que o negócio fosse fechado, seria necessário pagar propina de R$ 3 milhões a um conselheiro.

"Ele [Rogério] me procurou e disse que, para fazer isso [venda das debêntures], tem um caminho. Tem uma pessoa que é um conselheiro do FI-FGTS, chamado André Luiz de Souza [...], que estava disposto a aprovar a compra a preço de custo de mercado. Não era nenhuma vantagem, a preço de mercado mediante pagamento de propina no valor de R$ 3 milhões", disse o delator.

'Faca no pescoço'

Na sequência do depoimento, Henrique Valladares disse aos investigadores:

"Senhores procuradores, eu recebi isso como uma faca no pescoço: 'Ou você paga a esse cidadão que você não conhece e tem a negociação fechada e a obra começa a rodar, seus equipamentos vão começar a rodar, o pessoal começa a trabalhar, ou então você vai ficar mais algum tempo, não se sabe o quanto, sem ter a equação financeira fechada'".

O delator acrescentou, na sequência, que o ex-conselheiro do FI-FGTS aparecia nas planilhas da Odebrecht como o "Muçulmano".

Valladares relatou, também, que não houve vantagem financeira para a construtora na compra das debêntures pelo FI-FGTS, já que foi pago preço de mercado pelos papéis.

"Então, diante dessa condição, eu autorizei o pagamento dessa propina a uma pessoa que eu não conhecia para que ela comprasse debêntures a valor de mercado, sem nenhum benefício financeiro em troca", completou.

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G1
Editado por Folha Política
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