quinta-feira, 13 de abril de 2017

Relator da reforma política ‘anuiu’ com caixa 2, afirma delator; assista


Imagem: Dida Sampaio / Estadão
O executivo-delator da Odebrecht Alexandrino Alencar revelou à Procuradoria-Geral da República que o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) – codinome ‘Palmas’ -, ‘anuiu’ com caixa 2 de R$ 50 mil para campanha em 2010. Vicente Cândido é o relator da comissão especial da reforma política na Câmara.


Veja o vídeo:



“Isso foi em meados de 2010. Por agosto, setembro, ele (Cândido) me procurou e me solicitou, no meu escritório em São Paulo, a hora que a gente pudesse contribuir na campanha dele, fazendo doações. Eu evoluí isso internamente, dentro do contexto das doações com os outros pares meus, conversei com meu líder Benedicto Júnior (BJ). Optamos por ajuda-lo dentro da faixa do nosso padrão para deputados federais”, declarou.

“Como essa época nós ainda limitávamos, tínhamos um teto interno nosso para fornecer doações oficiais legais, optamos por dar essas doações via caixa 2. Ele concordou com essa doação. Nós demos para ele R$ 50 mil por caixa 2.”

Alexandrino foi questionado se Vicente Cândido sabia do caixa 2.

“Conheceu, anuiu”, disse.

O executivo declarou que ‘houve uma aproximação mútua por ele ser uma pessoa voltada ao futebol e pela Arena Corinthinas, em função da Copa do Mundo em São Paulo’.

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Alexandrino disse que não houve pedido específico. “Não, nada. Foi no contexto político.”

O delator relatou que houve entrega de valores para Vicente Cândido, mas que não participou do repasse.

O delator detalhou à Procuradoria sobre a política de doações eleitorais do grupo Odebrecht.

“Na minha atividade, o relacionamento político é fundamental sempre focando o crescimento do empresarial do grupo e com seus benefícios. Nessa função, meu público alvo eram partidos políticos, políticos e agentes públicos sempre alinhada a uma sistemática de contribuições financeiras e eleitorais. Eu conheci por volta do ano 2008 o deputado Vicente Cândido em minhas peregrinações no Congresso, mas sem criar um relacionamento mais próximo dele. Sempre em contato”, contou.

“Eu acho que em algumas reuniões com congressistas do PT fui apresentado a ele. Mas nada mais próximo. Em 2010, com o advento da Arena Corinthians, me aproximei dele. O sr Vicente Cândido sempre foi muito ligado a questões de futebol. Sei que ele é advogado, eu acho que ele tem uma proximidade, como advogado, ao presidente da CBF, Marco Del Nero. Fui me aproximando dele. Na construção do financiamento da Arena Corinthians, nós temos ali uma parte expressiva ligada à Prefeitura. Nós começamos a ver como poderíamos elaborar isso de uma maneira consequente.”

COM A PALAVRA, VICENTE CÂNDIDO

Nesta terça-feira, 11, o deputado federal Vicente Cândido (PT-SP) afirmou que não havia recebido nenhuma notificação da Justiça. “Até o momento não tive acesso aos autos do processo. A forma com que a mídia trata os pedidos de abertura de inquérito confere ares de condenação. Vale ressaltar que os acusadores ainda precisarão provar o que disseram. Neste sentido, tenho certeza de minha idoneidade e me coloco a disposição para quaisquer esclarecimentos à justiça. É preciso deixar claro que este momento político clama por uma reforma política de fôlego, pede por mudanças na maneira em que fazemos política no Brasil. Desta maneira, aproveito o momento para fortalecer este debate. A população brasileira precisa voltar a acreditar e participar da vida política. Ficou ainda mais evidente: a política brasileira precisa sair da UTI.”

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Julia Affonso, Fábio Fabrini, Ricardo Brandt e Beatriz Bulla
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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