sexta-feira, 19 de maio de 2017

Delator revela pagamentos de propina para o IBOPE


Imagem: Reprodução / Youtube
Em sua delação premiada, Ricardo Saud, da JBS, ao ler uma lista de notas fiscais que estava apresentando, mencionou uma nota fiscal (nº 12.247), no valor de R$ 300 mil, de 21/7/2014, para o instituto de pesquisas IBOPE. Perguntado se estava mesmo tratando do instituto, ele confirmou: o IBOPE nacional, de pesquisas. "Fazia pesquisa pra eles [políticos] e eles pagavam com essas propinas, porque o IBOPE recebia propina". Saud ainda esclareceu: "nunca fez um serviço pra nós, pro grupo [JBS]". 

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Mais à frente no depoimento, ele apresenta várias outras "notas frias" do IBOPE, em meio a outras notas frias. Diz: "Essas empresas nunca prestaram serviços para nós, todas as notas são frias e todos os contratos são falsos". Afirma que o Instituto entregava contratos e pesquisas "frios" para que ele apresentasse caso questionassem. O entrevistador pergunta: "e essas pesquisas, ele inventava? Nunca fez?". Saud diz: "mandava qualquer pesquisa".

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O IBOPE afirma que as notas fiscais mencionadas no acordo são verdadeiras e correspondem a serviços efetivamente prestados. 

Leia abaixo a nota enviada pelo IBOPE: 

São Paulo, 20 de maio de 2017
É com indignação que o IBOPE Inteligência tomou conhecimento da acusação de que emitiu notas fiscais falsas para a JBS como parte de pagamento de propina sem contrapartida de bens ou serviços, conforme consta no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada assinado por Joesley Mendonça Batista, Wesley Mendonça Batista e Ricardo Saud com a Procuradoria-Geral da União.
Sobre esse fato, o IBOPE Inteligência esclarece que nunca emitiu notas fiscais falsas, nem recebeu qualquer tipo de propina das empresas do grupo JBS ou de qualquer outra empresa.
Entretanto, o IBOPE Inteligência confirma que todas as notas fiscais mencionadas no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada são verdadeiras, foram devidamente contabilizadas e estão registradas na Secretaria Municipal da Fazenda da Prefeitura de São Paulo.
Após o conhecimento da acusação, foram verificadas todas as notas fiscais de serviços constantes na delação envolvendo o IBOPE Inteligência e empresas do grupo JBS. Deste modo, após um minucioso levantamento, o IBOPE Inteligência confirma o recebimento de R$ 2.834.705,43 como pagamento de serviços de pesquisa prestados para empresas do grupo JBS.
No entanto, cabe esclarecer de forma muito transparente que do montante acima mencionado, R$ 1.440.597,49 foram pagos para a realização de pesquisas eleitorais em Campo Grande, em 2012, e também para os estados de Alagoas, Goiás e Rio Grande do Norte, em 2014. Todas essas pesquisas foram devidamente executadas, entregues e pagas pela JBS S/A e J&F Investimentos S/A.
Já os R$ 1.394.107,94 restantes referem-se a pesquisas de mercado, tais como recall de comunicação da Friboi; tracking de imagem da Friboi; e perfil e hábitos de consumidores nas lojas da Swift, entre outros, contratados pelos profissionais de pesquisa e de marketing da JBS S/A. Inclusive, uma das notas fiscais mencionada no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada foi emitida para a Flora Distribuidora de Produtos de Higiene e Limpeza, uma das empresas do grupo. Pesquisa essa sobre consumo de fixador para cabelos, também executada e entregue. 
O IBOPE Inteligência repudia veementemente a negligência dos delatores que, além de faltarem com a verdade ao afirmarem que as notas fiscais são falsas, misturaram em seus depoimentos pesquisas eleitorais realizadas para políticos, com pesquisas sobre assuntos estratégicos das empresas do grupo, encomendadas por suas equipes de marketing e pesquisa.
Diante disso, para seguir com a transparência que faz parte de nosso trabalho nestes mais de 75 anos, disponibilizamos em nosso site, para a consulta de todos os brasileiros, o relatório com todas as notas fiscais mencionadas no Termo de Pré-Acordo de Colaboração Premiada, com a descrição dos serviços encomendados, realizados e entregues desde 2011 para a JBS S/A, J&F Investimentos S/A e Flora Distribuidora de Produtos de Higiene e Limpeza. 
Por fim, o IBOPE Inteligência reitera que não é verdadeira a informação de que emitiu notas fiscais falsas e tampouco recebeu qualquer tipo de propina das empresas JBS S/A, J&F Investimentos S/A ou quaisquer outras empresas. 
Estamos à inteira disposição para esclarecer dúvidas sobre esse lamentável ato de negligência e para colaborar com o Ministério Público com o fornecimento de documentos que comprovam a lisura de nossa atuação.
Atenciosamente,IBOPE Inteligência



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Luciana Camargo
Folha Política
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