domingo, 14 de maio de 2017

‘Dilma não confia em ninguém e acha todo mundo burro’, diz delatora


Imagem: Reprodução  / Redes Sociais
Dilma Rousseff era uma presidente da República que não confiava em ninguém e achava todo mundo “burro”, disse em depoimento ao Ministério Público Federal (MPF) a empresária Mônica Moura. A delação premiada de Mônica revela detalhes da convivência da petista com a empresária e seu marido, o marqueteiro João Santana – o casal foi responsável pelas campanhas do PT à Presidência da República em 2006, 2010 e 2014.



“A Dilma não confia em ninguém e tem um problema grave: ela não confia na capacidade de ninguém. Ela acha que todo mundo é burro, é incapaz”, disse Mônica aos procuradores.

“Ela se cercava de um monte de gente – não quero ser grosseira – , mas de gente sem capacidade, porque é aquele tipo de pessoa que não confia nas pessoas: não se cerca de gente brilhante, porque tem medo de ser ofuscada, entendeu?”, completou.

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A relação de Dilma com João Santana era diferente, frisou Mônica, já que a petista tinha confiança na capacidade do marqueteiro de “pensar”. Além de dar conselhos à então presidente, João elaborava discursos em rede nacional de rádio e televisão – um palanque eletrônico usado com frequência para anunciar medidas de impacto – e batizava programas do governo petista. “Ela recorria a ele sempre”, afirmou Mônica.

Segundo a empresária, o casal não cobrava pelo trabalho nos pronunciamentos, apenas repassando para a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República os custos de produção com a equipe, luz e câmera. A logomarca criada por João Santana ao governo Dilma foi um “presente”.

Sobre a primeira campanha de Dilma à Presidência, em 2010, a empresária reconheceu que foi uma eleição “dificílima”, já que todo mundo apostava na derrota da petista. “Era impossível, um poste realmente pra eleger”, admitiu.

De acordo com a delatora, João Santana era tão influente no governo que Mangabeira Unger, na época ministro da Secretaria de Assuntos Estratégicos, recorria ao marqueteiro para conseguir uma agenda com Dilma Rousseff durante o segundo mandato.

‘Pátria educadora’. Na época, Mangabeira estava cuidando do programa “Pátria Educadora”, mote da segunda gestão de Dilma, e se envolveu nos bastidores numa disputa de protagonismo político com o Planalto e o então ministro da Educação, Renato Janine Ribeiro.

“O Mangabeira chegava ao ponto de pedir ao João que conseguisse que a Dilma recebesse ele. E a Dilma, ‘Eca’, ‘Ai que saco’, ‘Ele é chato, eu não quero’, ‘Eu não guento'”, relatou a delatora.

Os problemas de Mangabeira se agravaram quando ele decidiu incluir no programa uma proposta de diretrizes curriculares para a Base Nacional Comum da Educação, que define o que se espera que alunos aprendam em cada etapa da educação básica. “Autoritário” e “megalomaníaco” foram alguns dos adjetivos usados pela cúpula palaciana para descrever a atuação de Mangabeira à frente da pasta.

Isolado do governo, Mangabeira acabou entregando a sua carta de demissão em setembro de 2015. Procurada pela reportagem, a assessoria de Dilma disse que não se pronunciaria.

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Rafael Moraes Moura
O  Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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