sábado, 6 de maio de 2017

'É um tapa na cara da gente', diz moradora do prédio onde Dirceu foi morar


Imagem: Pedro Ladeira / Folhapress
Só se falava de uma coisa em uma das quadras do bairro Sudoeste, em Brasília, na manhã desta sexta-feira (5): a chegada de um novo morador, o ex-ministro José Dirceu.


O petista, que ficou preso um ano e nove meses pela Lava Jato, chegou na noite de quinta-feira (4) ao prédio de classe média alta e foi recebido por manifestantes contrários à sua soltura, que chegaram a invadir a garagem do edifício e cercar seu carro.

Se o assunto era o mesmo, as posições divergiam e causavam discussão entre os transeuntes. "É um tapa na cara da gente", disse a pedagoga Zileide Danni à Folha de S. Paulo.

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Ao ouvir o assunto, a professora Regina Oliveira se aproxima: "É revoltante as pessoas hostilizarem uma pessoa só porque ela vem morar num prédio", afirma, ignorando que não foi por morar lá que Dirceu foi preso. As duas discutem por algum tempo. Ao final, Danni pergunta à reportagem se a professora é parente de Dirceu. "Só pode ser, para defender bandido", afirma a pedagoga.

Pouco depois, a também professora Márcia Ferreira, 70, aparece com orquídeas brancas, que entrega ao porteiro. "Para o guerrilho José Dirceu, que ajudou a nos livrar da ditadura." Ela, que não mora no bairro, veio ao bloco onde o ex-ministro mora com a mulher, Simone, e sua filha mais nova, de seis anos, mostrar apoio.

A dentista Renata, que não quis dar o sobrenome, veio por volta das 11h deixar a filha de quatro anos com os avós, moradores do mesmo bloco que o petista. "Na nossa opinião política, ele não deveria ter sido solto não", diz. "Mas a gente entende esse lado da família."

Segundo ela, há uma preocupação sobre como a insatisfação dos vizinhos pode afetar a filha do ex-ministro. "A gente fica preocupado com uma possível hostilidade, porque é uma menina de seis anos esperando o pai 'voltar de viagem' e de repente não pode mais descer pra brincar?".

A hostilidade vem de moradores e também de curiosos que passam pelo novo endereço de Dirceu. De um carro vermelho, o motorista grita palavras de ordem contra o petista. Há um cartaz no quarto andar do prédio no qual se lê: "Dirceu ladrão, seu lugar é na prisão", em letras que pareciam ter sido desenhadas por uma criança.

Enquanto a reportagem da Folha de S. Paulo esteve lá, Dirceu recebeu apenas a visita do ex-ministro Gilberto Carvalho, que na saída do prédio chegou a discutir com uma moradora.

Moradores organizaram um novo protesto em frente ao prédio na tarde desta sexta, e houve um princípio de confusão com apoiadores do petista, logo controlado.

Dirceu deixou a sede da Justiça Federal em Curitiba no fim da tarde de quarta (3), usando tornozeleira eletrônica e proibido de sair do país, um dia depois de a Segunda Turma do STF (Supremo Tribunal Federal) decidir soltá-lo, por três votos a dois.

Preso em 2015, ele já foi condenado duas vezes pelo juiz Sergio Moro, responsável pela Lava Jato na 1ª instância.

A princípio, Moro havia determinado que o petista passasse o tempo em liberdade em Vinhedo (interior de SP), onde residia antes de ser preso. A decisão foi revista após pedido da defesa. 

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Angela Boldrini

Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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