domingo, 21 de maio de 2017

Em mais uma 'coincidência', controladores da JBS venderam R$ 242,3 milhões em ações em abril


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Como se não bastasse todo o turbilhão de notícias que envolvem desde os desdobramentos da Carne Fraca até a gravação de Temer dando aval para a compra do silêncio de Cunha, a JBS pode estar envolvida em mais uma “polêmica” - aos olhos do mercado financeiro, pelo menos. Essa polêmica, no entanto, trata-se de uma informação pública que passou desapercebida pelos investidores. 


Mensalmente, todas as empresas com ações listadas na B3 (antiga BM&FBovespa) precisam divulgar um documento na CVM (Comissão de Valores Mobiliários) chamado “posição consolidada”, no qual elas mostram qual a movimentação que importantes membros da empresa – acionistas controladores, diretores e conselheiros - fizeram com papéis desta companhia no mês anterior.

A posição consolidada da JBS referente a abril foi divulgada no último 10 de maio e mostrou um dado interessante: os acionistas controladores da empresa venderam 23.474.460 de ações JBSS3 entre os dias 20 e 28 de abril, a um preço médio de R$ 10,30. Assim, eles totalizaram uma venda de R$ 242,3 milhões em ações cerca de três semanas antes de explodir novos escândalos envolvendo a companhia.

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Para ter uma noção da representatividade dessas vendas, a JBS movimentou em média R$ 110 milhões por dia na bolsa. Ou seja, apenas as vendas dos controladores representaram o equivalente a 2,2 dias inteiros de negociações com os papéis. Como as vendas foram feitas em 7 dias, seria como se os controladores tivessem respondido por, em média, 30% do giro financeiro de cada um destes pregões do final de abril.

Mesmo com essa venda maciça de ações, a participação destes acionistas passou de 44,35% para 43,19% entre março e abril.

Tudo isso em meio a uma recompra...

Obviamente, não é possível cravar que os controladores venderam as ações já sabendo que más notícias surgiriam em maio. Contudo, outra informação que vale a pena destacar é que, em 10 de fevereiro, o Conselho de Administração da JBS aprovou um programa de recompra de até 10% das ações da companhia em circulação no mercado. O programa, com duração de até 18 meses, envolve a compra de até 151.844.207 ações, ou seja, R$ 1,8 bilhão ao preço de fechamento no dia do anúncio.

Ou seja, as vendas de ações dos controladores surgiram ao mesmo tempo que a própria empresa anunciou que pretende comprar papéis da JBS como forma de passar "confiança" ao mercado após todos os fatos envolvendo a companhia.

Para terminar o excesso de coincidências envolvendo a processadora de carnes, nesta quinta-feira o jornal Folha de S. Paulo e o site O Antagonista revelaram que o presidente Michel Temer antecipou ao dono da JBS, Joesley Batista, que o Copom (Comitê de Política Monetária) faria um corte de 100 pontos-base na Selic em janeiro - decisão que pegou de surpresa muita gente do mercado.

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Infomoney
Editado por Folha Política
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