segunda-feira, 1 de maio de 2017

'Este tipo de levantamento um ano e meio antes da eleição é tão confiável quanto jogar búzios ou fazer mapa astral dos candidatos', afirma publicitário sobre pesquisa que aponta Lula na frente para 2018


Imagem:  Montagem / Folha Política
O publicitário Alexandre Borges comentou a inutilidade de se fazer pesquisas eleitorais mais de um ano antes da eleição real: "Os vencedores e perdedores da pesquisa de hoje podem ser os mesmos um ano e meio depois? Podem, como podem não ser, é puro chute".

Leia abaixo o texto de Alexandre Borges: 

Espero que vocês compreendam que não estou aqui jogando para a arquibancada ou prestando serviços para avançar agendas de candidatos ou partidos, faço análises dos fatos, sejam eles positivos ou não para minhas bandeiras políticas pessoais.
Não sou filho de chocadeira, tenho minhas preferência como qualquer um que escolhe se dedicar à política, mas isso não pode se misturar com a leitura do que está acontecendo ou das perspectivas futuras. Torcida é uma coisa, análise é outra.
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Vocês sabem que, por exemplo, em momento algum disse que Donald Trump venceria as eleições do ano passado, apenas que a imprensa dava ele como morto e havia motivos suficientes para considerar que ele estava no páreo, como estava. Vejam os arquivos da página: sempre que me perguntavam se ele venceria, minha resposta era “é cedo para dizer”, especialmente antes do fim das primárias. Comentava tendências, mas sempre respeitando a imprevisibilidade da vida real.
Faço isso porque não tenho vocação de fazer previsões “Milton Neves”, daquelas que ele faz e depois do jogo arruma uma explicação divertida e criativa para o erro da previsão. Milton Neves faz isso como o comunicador genial e bem humorado que é, provocando torcedores e criando polêmicas, o que sempre gera audiência. Ele é um craque e tem meu respeito no que faz, mas aqui o jogo é outro.
Entendo de pouca coisa na vida, mas depois de quase três décadas trabalhando com publicidade, uma coisa ou outra sobre pesquisas acabei aprendendo e posso garantir a vocês: este tipo de levantamento um ano e meio antes da eleição é tão confiável quanto jogar búzios ou fazer mapa astral dos candidatos, especialmente em eleições disputadas, sem um vencedor óbvio, e com tantas variáveis indefinidas.
Comemorar resultados agora é como gritar “é campeão!” na primeira rodada do campeonato brasileiro, esquecendo que faltam outras trinta e sete. O líder da primeira rodada pode levantar a taça em dezembro? É claro que pode, como todos os outros times também podem. É cedo para comprar a cerveja ou jogar a toalha, está tudo em aberto.
Tecnicamente, o resultado de um pesquisa tão remota é fruto do que chamamos de “recall” ou “lembrança”. O eleitor acaba falando de nomes familiares, que estão na memória ou badalados na imprensa naquele momento, mas ele realmente só começa a considerar quem vai levar seu voto de verdade quando as candidaturas estão colocadas oficialmente e o país está em “clima de eleição”. Durante a campanha, o eleitor ainda pode mudar várias vezes de idéia, como é muito comum que aconteça.
Começamos a respirar eleição por volta do meio do ano quando ocorrem convenções partidárias e os candidatos são efetivamente escolhidos e lançados. Para 2018, o TSE fixou o prazo das convenções de 20 de julho a 5 de agosto. Os vencedores e perdedores da pesquisa de hoje podem ser os mesmos um ano e meio depois? Podem, como podem não ser, é puro chute.
A última eleição no Brasil foi a municipal do ano passado, certo? Faça um exercício agora: vá no Google e busque o Datafolha de abril de 2015 sobre a eleição da sua cidade e compare com o resultado das urnas, um ano e meio depois. Podem ou não coincidir, assim como um relógio quebrado acerta as horas duas vezes por dia.
Acredito que anos ímpares, sem eleição, devem ser guardados para a discussão dos grandes temas da nação, para convencer a população de que ela deve apoiar determinadas causas. No ano seguinte, escolhe-se o candidato que melhor representará essas bandeiras e terá mais chances de vencer. Quem quiser ficar discutindo nomes um ano e meio antes, que fique, mas não é uma discussão que considero produtiva ou útil para o país.
Sei que existe essa tendência natural de buscarmos salvadores, mas temos que lutar contra isso se quisermos avançar o país politicamente. É preciso que ao menos em anos nos quais não há eleição que se faça a grande política, que se discuta o projeto de país que se deseja. Depois, quando os candidatos aparecerem oficialmente, decidimos quem melhor representa estas causas.
Respeito quem pensa diferente, mas em 2017 o foco aqui será direcionado, sempre que possível, para temas e não nomes. Se você concorda, vamos juntos debater com a sociedade, esclarecendo e persuadindo sempre que houver espaço.

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Luciana Camargo
Folha Política
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