quarta-feira, 17 de maio de 2017

'Há 3 possibilidades, mas o fato é que a situação de Temer parece insustentável', afirma analista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
A crise política brasileira voltou com tudo na noite desta quarta-feira, após o jornal O Globo noticiar que o dono da JBS, Joesley Batista, gravou o presidente Michel Temer dando aval para a compra do silêncio de Eduardo Cunha. 



Segundo o jornal, o executivo disse que Temer indicou o deputado Rodrigo Rocha Loures (PMDB-PR) para resolver um assunto da J&F (holding que controla a JBS). Posteriormente, Rocha foi filmado recebendo uma mala com R$ 500 mil enviados por Joesley. Temer também ouviu do empresário que estava dando a Eduardo Cunha e ao operador Lúcio Funaro uma mesada na prisão para ficarem calados. Diante da informação, Temer incentivou: "Tem que manter isso, viu?". Joesley disse ainda que pagou R$ 5 milhões para Cunha após sua prisão.

Essa notícia mostrou ser uma "bomba" para o governo, mas o que esperar para o cenário político no curto prazo? Segundo afirma o analista da Barral M. Jorge, Juliano Griebeler, as acusações são muito graves e atingem diretamente a Temer, que pode ser acusado de obstrução à justiça. "Um cenário provável é a renúncia de Temer, que levaria a eleições indiretas pelo Congresso Nacional. Caso ele não renuncie, o pedido de impeachment deve ocorrer e o TSE deve cassar a chapa de Dilma e Temer", aponta o analista. O processo de cassação de chapa no Tribunal eleitoral será retomado no próximo dia 6 de junho.

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Já sobre as reformas, que eram o mote do governo, Griebeler observa: "se com um governo articulado a aprovação da reforma da previdência era incerta, na situação atual ela não deve ocorrer. Pelo menos não no primeiro semestre, enquanto ocorre uma reorganização do governo brasileiro". 

Uma outra possibilidade é o Congresso buscar uma saída ao tentar aprovar uma emenda constitucional para a realização de eleições diretas. "Mas o fato é que, em um primeiro momento, a situação de Temer enquanto presidente parece insustentável".

Além de Temer, vale ressaltar que o presidente do PSDB, senador Aécio Neves, foi bastante implicado. Na delação de Joesley, o senador é gravado pedindo ao empresário R$ 2 milhões. A entrega do dinheiro a um primo de Aécio também foi filmada.

Segundo o analista, Aécio já não estava cotado para as eleições de 2018, uma vez que já estava bastante implicado na Lava Jato. "Entretanto, as acusações complicam o PSDB como um todo, pois atingem o presidente do partido e o principal aliado do governo".

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Lara Rizério
Infomoney
Editado por Folha Política
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