terça-feira, 23 de maio de 2017

Mulher de suposto dono do sítio diz que só esteve lá nas festas juninas de Lula e dormiu em hotel


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
Mulher de Jonas Leite Suassuna Filho, um dos sócios do sítio de Atibaia, Cláudia Bueri Suassuna esteve na propriedade apenas duas vezes, em festas juninas organizadas pela família Lula. Numa das vezes, dormiu em um hotel da cidade. Cláudia foi convidada a prestar depoimento à força-tarefa da Lava-Jato em Curitiba, em março de 2016. Agora, foi arrolada como testemunha de acusação na denúncia que acusa o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva de corrupção e lavagem de dinheiro por obras no sítio, que teriam sido pagas por empreiteiras. Jonas Suassuna é sócio de Fernando Bittar, filho de Jacó Bittar, amigo de longa data do ex-presidente, e não foi denunciado pelo Ministério Público Federal (MPF).



Perguntada quem dormiu na casa quando ela foi dormir no hotel, ela disse que não sabia porque saiu antes, quando "a festa tava rolando".

Procurador: (..) a senhora recorda quem pernoitou no sítio?

Cláudia: Quando eu fui dormir no hotel?

Procurador: Isso.

Cláudia: Não. A festa tava rolando, eu sai antes.

Procurador: Certo.

Cláudia: Como eu vou saber.

Procurador: Perfeito.

Cláudia: Era muita gente. Eram muitos poli..., era muita gente. Como eu vou saber.

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A mulher de Jonas Suassuna disse aos procuradores ter sido consultada pelo marido sobre a compra do sítio, e achou que seria bom negócio porque tinha água e iria valorizar devido à presença de Lula. O sítio de Atibaia é formado por duas propriedades anexas. Uma que pertence a Fernando Bittar (sítio Santa Denise), outra à Jonas Suassuna (Santa Bárbara). Cláudia negou que as duas áreas formem uma única propriedade.

— A família Bittar é muito próxima da família Lula. Muito próxima. Aí eu achei vai valorizar muito mais se começar o presidente a frequentar o sítio do seu

Bittar, que depois veio saber que era no nome de Fernando (Bittar), porque pra mim até então era o sítio do seu Bittar.

Perguntada sobre detalhes da negociação, ela disse que desconhece e que não é de seu interesse:

— Jonas é o meu terceiro casamento e eu sou o segundo dele. Quando a gente vai casando a gente vai aprendendo a respeitar os limites da linha amarela. Então, hoje em dia, quase com os meus 52 anos, eu só, só vou onde sou chamada e não pergunto nada que não é de meu interesse - afirmou.

Cláudia disse que ela e o marido estavam mais interessados em reformar uma propriedade em Angra dos Reis e, por isso, o sítio de Atibaia foi apenas um investimento. O procurador quis saber se ela não teve curiosidade de voltar ao sítio para ver a parte de água que o marido havia mencionado e ela respondeu:

— Não, não porque Angra tava tomando todos os meus desejos na minha cabeça, então, eu entrei profundamente na nossa, no nosso sonho de Angra.

Cláudia afirmou que Jonas tinha um apartamento em São Paulo quando os dois se casaram, em 2013 e que ela não permitiu que o marido continuasse a ter um apartamento fora do Rio. O apartamento foi alugado para Fábio Luis Lula da Silva, um dos filhos de Lula e sócio de Suassuna e Cláudia disse que sequer sabe onde fica.

— Não conheço nada de São Paulo, sou muito fraca de São Paulo, pra falar sério eu nem gosto de São Paulo. Eu sou uma carioca nata.

Cláudia disse que o marido é sócio de Fernando Bittar e que conhece a família Lula, que esteve duas na casa de veraneio que o casal possui na Ilha dos Macacos, em Angra dos Reis.

Procurador: Integrantes, sócios do Jonas, a família Bittar ou os filhos do ex-presidente, eles frequentam essa Ilha?

Cláudia: Eles foram duas vezes.

Procurador: Duas vezes.

Cláudia: Rapidinho, visita de médico.

Procurador: Eles quem?

Cláudia: O presidente Lula, Dona Marisa e o Fábio.

Procurador: A senhora estava lá?

Cláudia: Tava.

Procurador: Essa foi mais uma vez que a senhora encontrou com eles?

Cláudia: Sim, lembrei. Porque você puxar oito anos é muito complicado. Mas foi uma visita de médico porque eles iam pescar. Visita de médico, foi até assim, não deu nem pra esquentar um…

Advogado: Café.

Cláudia: Não, eu ia servir um caldinho de feijão. Quando chegou o cara, já tinha ido embora. Visita de médico.

O procurador quis saber da relação do Grupo Gol, de Suassuna, com a G4, do filho de Lula:

Cláudia: Prestava serviços, né?

Procurador: Prestavam serviços.

Cláudia: É, os garotos são fera em game.

Procurador: A senhora sabe pra qual das empresas eles prestavam serviços?

Cláudia: (gestos) Não tenho essa intimidade, procurador. Não tenho essa intimidade, o senhor pode me sacudir da cabeça pra baixo aqui que eu não tenho essa intimidade.

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O Globo
Editado por Folha Política
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