terça-feira, 23 de maio de 2017

Reinaldo Azevedo pede demissão da Veja após divulgação de grampos em que critica a revista


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O colunista Reinaldo Azevedo pediu demissão da revista Veja, após a divulgação de áudios em que criticava o veículo. Em telefonema grampeado com a irmã do senador Aécio Neves, Andrea Neves, ele chamou o conteúdo de uma reportagem de capa sobre senador de "nojento". 



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O conteúdo da conversa foi divulgado pelo site BuzzFeed, e sua divulgação foi amplamente criticada por jornalistas. A jornalista Vera Magalhães fez uma dura crítica: "Estou indignada com atentado a princípio fundamental do jornalismo: direito ao sigilo da fonte. Me admira jornalistas serem veículo pra isso".

O jornalista Sérgio Pardellas, editor-chefe da revista IstoÉ, fez um comentário lacônico lembrando o art. 5º da Constituição Federal, na parte que protege o sigilo da fonte dos jornalistas: "é assegurado a todos o acesso à informação e resguardado o sigilo da fonte, quando necessário ao exercício profissional".

Caio Blinder disse: "A conversa sigilosa de um jornalista com sua fonte, agora Reinaldo Azevedo, amanhã qualquer outro, deve ser respeitada".

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Leia a nota de Reinaldo Azevedo:

"Pela ordem:
Comecemos pelas consequências.
Pedi demissão da VEJA. Na verdade, temos um contrato, que está sendo rompido a meu pedido. E a direção da revista concordou.
1: não sou investigado;
2: a transcrição da conversa privada, entre jornalista e sua fonte, não guarda relação com o objeto da investigação;
3: tornar público esse tipo de conversa é só uma maneira de intimidar jornalistas;
4: como Andrea e Aécio são minhas fontes, achei, num primeiro momento, que pudessem fazer isso; depois, pensei que seria de tal sorte absurdo que não aconteceria;
5: mas me ocorreu em seguida: "se estimulam que se grave ilegalmente o presidente, por que não fariam isso com um jornalista que é critico ao trabalho da patota.
6: em qualquer democracia do mundo, a divulgação da conversa de um jornalista com sua fonte seria considerado um escândalo. Por aqui, não.
7: tratem, senhores jornalistas, de só falar bem da Lava Jato, de incensar seus comandantes.
8: Andrea estava grampeada, eu não. A divulgação dessa conversa me tem como foco, não a ela;
9: Bem, o blog está fora da VEJA. Se conseguir hospedá-lo em algum outro lugar, vocês ficarão sabendo.
10: O que se tem aí caracteriza um estado policial. Uma garantia constitucional de um indivíduo está sendo agredida por algo que nada tem a ver com a investigação;
11: e também há uma agressão a uma das garantias que tem a profissão. A menos que um crime esteja sendo cometido, o sigilo da conversa de um jornalista com sua fonte é um dos pilares do jornalismo".
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Luciana Camargo
Folha Política

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