quinta-feira, 18 de maio de 2017

Temer diz que é vítima de conspiração: 'Não vou cair'


Imagem:  Dida Sampaio / Estadão
O presidente Michel Temer disse hoje a senadores que o visitaram pela manhã que é “vítima de uma conspiração”. Sem apontar os autores do golpe, Temer repetiu mais de uma vez que “está firme” no cargo e sentenciou: “Não vou cair!”. O presidente apontou, contudo, ser estranho que os fatos tenham sido divulgados no momento em que a economia voltou a crescer e as reformas avançam no Congresso.



O presidente não aparentou abatimento, segundo relatos. Foi o próprio Temer quem puxou o assunto em reunião com senadores. “Fomos lá para ter uma audiência e ele perguntou: – Vocês viram o que aconteceu?”, relatou o senador Sérgio Petecão (PSD-AC). Temer não mencionou o nome do senador Aécio Neves, alvo de operação deflagrada pela PF hoje a partir da delação de Joesley Batista, a mesma que atingiu fortemente o presidente.

A reunião foi agendada para tratar de liberação de emendas para o Acre. Os senadores se surpreenderam com a manutenção da agenda por Temer. “Fui lá já achando que nãos seria recebido”, disse Petecão. Temer recebeu os políticos sozinho, sem outros ministros, como de costume. Ao final, disse que iria analisar “com carinho” a demanda apresentada. E voltou a repetir: “É uma conspiração. Não vou cair!”.

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O empresário Joesley Batista, dono do grupo J&F, gravou conversa com o presidente Temer e apresentou como prova em sua delação premiada. Segundo investigadores, Joesley pediu ajuda para uma demanda da sua empresa e Temer recomendou que procurasse o deputado Rocha Loures (PMDB-PR) em seu nome para tratar do assunto. Loures pediu propina a Joesley para resolver a demanda repassada por Temer e foi filmado recebendo R$ 500 mil, primeira parcela do acerto.

Na mesma conversa, Joesley contou ao presidente sobre pagamento de mesada para o ex-deputado Eduardo Cunha e o operador Lucio Funaro, ambos presos pela Lava Jato, para que eles não fizessem delação premiada. Temer ouviu o relato do crime e pediu ao empresário, segundo investigadores, que mantivesse os pagamentos mensais.

Ontem à noite, Temer teria dito a um grupo de deputados que ouviu o relato de Joesley sobre a mesada e não se opôs. Justificou que pensou se tratar de uma ajuda humanitária.

Cunha e Funaro sempre ameaçaram delatar casos envolvendo o presidente Temer. Próximo de Joesley, Funaro iniciou tratativas para delação, mas que não avançaram. A irmã dele, Roberta, foi presa hoje, acusada por Joesley de receber o pagamento da mesada em nome dele. Cunha disse já na prisão que ficaria conhecido como o político que derrubou dois presidentes: foi ele quem autorizou a tramitação do processo de impeachment de Dilma Rousseff, como presidente da Câmara. O outro alvo é Michel Temer.

Em meio ao escândalo do dia, Temer cancelou o restante da agenda.

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Andreza Matais
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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