quinta-feira, 1 de junho de 2017

Empresário que fornecia comida a escolas e presídios é preso na Lava Jato do Rio


Imagem: Reprodução / Blog do Garotinho
A Polícia Federal prendeu, nesta quinta-feira (1º), o empresário Marco Antônio de Luca, alvo da Operação Ratatouille, mais desdobramento da força-tarefa da Operação Lava Jato no Rio de Janeiro. Ele foi detido em sua casa, na avenida Vieira Souto, em Ipanema, área nobre da zona sul carioca. Luca é ligado às empresas Masan e Milano.



Segundo a PF, o objetivo da ação é desarticular um esquema criminoso de desvio de recursos envolvendo o fornecimento de merenda escolar e alimentação de detentos no Estado. Os crimes teriam ocorrido na gestão do ex-governador Sérgio Cabral (PMDB), que chefiou o Executivo entre 2007 e 2014. Cabral foi preso, em novembro do ano passado, e é acusado de chefiar um grandioso esquema de corrupção no RJ.

A investigação aponta que o empresário teria pago pelo menos R$ 12,5 milhões em vantagens a autoridades públicas. A Masan e a Milano mantêm contratos com o governo do Estado do Rio. Luca será indiciado por corrupção ativa, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Leia também: 

A operação é realizada em conjunto com o Ministério Público Federal e a Receita Federal. Quarenta policiais cumprem um mandado de prisão preventiva e nove de busca e apreensão expedidos pela 7ª Vara Federal Criminal do Rio, do juiz Marcelo Bretas.

O nome da operação, Ratatouille, segundo a PF, remete a um prato típico da culinária francesa e faz referência ao jantar em um restaurante de alto padrão de Paris, no qual estavam presentes diversas autoridades públicas do Rio e empresários, entre eles estava Luca, que possuíam negócios com o Estado --em episódio que ficou conhecido como "farra dos guardanapos".

A operação está em andamento na capital fluminense (na Barra da Tijuca, Centro, Ipanema e Leblon) e nos municípios de Mangaratiba e Duque de Caxias.

O UOL tentou entrar em contato com a assessoria de comunicação da Masan para checar a versão da companhia e da defesa do empresário Marco Antônio de Luca. A reportagem ligou no telefone informado no site da empresa, entre 7h25 e 7h45, mas ninguém atendeu.

Além disso, foram enviados e-mails com pedido de posicionamento, às 7h44, porém não houve retorno também.
Citado por operador de Cabral

No começo de maio, Luiz Carlos Bezerra, apontado como um dos operadores de Cabral, afirmou à Justiça ter recolhido dinheiro em empresas de Marco Antônio de Luca, Fernando Cavendish e George Sadala. Os três aparecem nas imagens que remetem à "farra dos guardanapos", quando eles foram fotografados ao lado de secretários de Estado em um jantar em Paris.

"Eu apenas ia, recolhia o dinheiro e entregava onde era determinado", relatou Bezerra, na ocasião.

Segundo Bezerra --detido na Operação Calicute, da PF (a mesma que resultou na prisão de Cabral)--, Luca constava com o apelido "Louco" na "contabilidade paralela" da quadrilha chefiada pelo ex-governador.

A investigação mostra que, entre 2011 e 2016, o somatório de recursos de propina apurados somente com as planilhas e anotações de Bezerra indica uma movimentação de R$ 37 milhões. "Se está nas minhas anotações, está correto", disse o operador, na ocasião.

Veja também: 




UOL
Editado por Folha Política
Comentários
0 Comentários

Nenhum comentário :

Postar um comentário

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...