sexta-feira, 23 de junho de 2017

Gilmar Mendes passará a conduzir um dos inquéritos abertos para investigar Aécio


Imagem: Armando Franca/AP
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes passará a conduzir um dos inquéritos autorizados pela Corte para investigar o senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG) com base nas delações de ex-executivos da Odebrecht. Gilmar foi sorteado relator do inquérito nesta sexta-feira (23).


Inicialmente, o inquérito estava sob a relatoria do ministro Luiz Edson Fachin, relator da Lava Jato no Supremo.

Nesta semana, contudo, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pediu ao STF que redistribuísse o inquérito, sob a argumentação de que os fatos narrados pelos delatores não têm conexão com as fraudes investigadas na Petrobras.

Fachin concordou com a redistribuição e a presidente da Corte, ministra Cármen Lúcia, determinou o sorteio.

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O inquérito

Segundo o inquérito, aberto em abril deste ano, o objetivo das investigações é apurar fatos narrados pelos delatores Benedicto Barbosa da Silva Júnior, Sérgio Luiz Neves, Marcelo Odebrecht e Cláudio Melo Filho.

Consta do inquérito que, de acordo com o Ministério Público, "os referidos colaboradores apontam, por meio de declaração e prova documental, que, em 2014, foi prometido e/ou efetuado, a pedido do senador da República Aécio Neves da Cunha, o pagamento de vantagens indevidas em seu favor e em benefício de seus aliados políticos".

Desde que as delações da Odebrecht se tornaram públicas, Aécio Neves tem concedido entrevistas e divulgado notas para rebater todas as acusações.

O senador, atualmente afastado do mandato parlamentar, tem afirmado que todas as doações recebidas foram legais e devidamente declaradas à Justiça Eleitoral.

Delações da JBS

Aécio Neves foi afastado do mandato de senador no mês passado por ordem do ministro Edson Fachin, após se tornaram conhecidas as delações de executivos da JBS.

Segundo o Ministério Público Federal Aécio agiu em conjunto com o presidente Michel Temer para barrar a Operação Lava Jato. A Procuradoria Geral da República chegou a denunciar o tucano pelos crimes de corrupção passiva e obstrução de Justiça.

O dono da JBS, Joesley Batista, entregou aos investigadores da Lava Jato uma gravação na qual ele e Aécio acertam o repasse de R$ 2 milhões ao tucano. Na conversa, o senador diz que precisa do dinheiro para pagar advogados, mas, segundo a PGR, o montante seria propina. Aécio nega as acusações.

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Filipe Matoso e Renan Ramalho
G1
Editado por Folha Política
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