quarta-feira, 21 de junho de 2017

Gleisi surta, ataca Moro e a Lava Jato, e o juiz responde que não comenta fala de réus por corrupção


Imagem: Ag. Senado
Ré na Lava-jato junto com o marido, o ex-ministro Paulo Bernardo, a presidente do PT, senadora Gleisi Hoffman (PR), subiu a tribuna nesta quarta-feira para acusar o juiz Sérgio Moro e o procurador Deltan Dellagnol de estarem “fazendo um conluio” com o mercado para “ferrar o povo brasileiro”, e usar o processo do ex-presidente Lula para “fazer dinheiro” com palestras ao preço de R$ 30 mil a R$ 40 mil.





Ás vésperas da sentença de Moro no processo do triplex do Guarujá, Gleisi acusou o juiz de cercear o acesso de Lula ao inquérito até dois dias antes do fim do prazo, e leu no plenário a versão da defesa do ex-presidente, de que o apartamento pertence a um fundo da Caixa Econômica Federal.

No pronunciamento, Gleisi disse que os inquéritos contra o Lula viraram “um produto vendável, comercial, enredo de filme” e produto de palestras em que juízes e procuradores cobram dinheiro para ofertar até mesmo em eventos de cirurgia plástica. Gleisi chamou o processo da Lava-Jato de safadeza.

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Olhando bem para as câmeras do plenário, em tom ameaçador, Gleisi mandou um recado direto para Moro e Dellagnol:

— Então, juiz Sérgio Moro, então, Dr. Dellagnol, que estão ganhando dinheiro, inclusive, em cima do processo da Lava Jato , é vergonhoso cobrar R$ 30, R$ 40 mil para uma palestra, para ir lá falar de coisas que não existem, de provas que não existem, falar do processo da Lava-Jato , tenham decência! Tenham decência! Não colaborem, não, para acabar com a democracia brasileira. Façam o papel de vocês: devido processo legal, com base na lei, com base no direito. É assim que tem que se fazer!

E mandou um aviso a Moro em caso de Lula ser condenado e impedido de disputar a eleição em 2018: os aliados de Lula não vão admitir. A líder petista disse que não poderia sair do Senado hoje sem fazer esse pronunciamento, para dizer que do destino do Brasil está “muito involucrado”, envolvido com o destino do Presidente Lula.

— Deixo claro aqui para o Brasil e o mundo que nós não vamos admitir. Uma eleição sem Lula é fraude — avisou Gleisi, acrescentando:

— O presidente Lula representa o povo deste país, gostem vocês ou não.

Para a petista, se o juiz Sérgio Moro der uma sentença dizendo que o Lula é culpado, sem provas, estará tendo uma decisão política de impedir o ex-presidente Lula de civilmente exercer os seus direitos políticos.

— Nós não vamos ficar quietos, nós vamos denunciar isso para o mundo. Não vamos aceitar fraude eleitoral, não vamos aceitar!

Em um aparte ao discurso de Gleisi, a senadora Fátima Bezerra (PT-RN), foi no mesmo sentindo.

— Nós não vamos aceitar que cassem os direitos políticos do Presidente Lula. Nós não vamos aceitar que cassem os direitos políticos do presidente Lula. Nós não vamos aceitar — repetiu Fátima Bezerra.

Barrar a candidatura de Lula, segundo Gleisi, faz parte de um conluio de Moro e Dellagnol para “ferrar o povo brasileiro”.

— Então, vocês estão fazendo um conluio com esse mercado para ferrar o povo brasileiro. É isso! Não, isso tem que ficar claro! Para aprovar essas reformas absurdas e ferrar o povo brasileiro! Aí, não querem que o Presidente Lula dispute a eleição? Mas que sejam um pouquinho mais corajosos e decentes! Arrumem um candidato e venham para o olimpo disputar no voto. Aí sim! Aí, vocês podem fazer o discurso que vocês querem fazer. Senão, não podem! — desafiou Gleisi Hoffman

Segundo a presidente do PT, a defesa de Lula só teve acesso a cópia do inquérito dois dias antes encerramento do prazo:

— Então, o cerceamento de defesa sempre esteve presente nesses processos contra o Presidente Lula – sempre — disse Gleisi.

Procurado, Sérgio Moro afirmou que "não cabe a juiz responder a afirmações de réus por crimes de corrupção".

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Maria Lima
O Globo
Editado por Folha Política
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