sábado, 3 de junho de 2017

Janot liga conversa entre Aécio e Gilmar a tentativa de barrar Lava Jato


Imagem: Omar Freire / Imprensa MG
Na denúncia contra Aécio Neves (PSDB/MG) por corrupção passiva e obstrução da Justiça, entregue nesta sexta-feira, 2, ao Supremo Tribunal Federal, o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, citou os áudios em que o senador tucano pede ao ministro da Corte máxima Gilmar Mendes para convencer com o senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) a votar favoravelmente ao projeto de lei de abuso de autoridade, que chegou a tramitar no Congresso.


Aécio ligou em 26 de abril para Gilmar Mendes. Para Janot, o telefonema foi uma ‘atitude inusual’.

“Obviamente, não se quer criminalizar a legítima atividade parlamentar, mas essa sequência de fatos mostra claramente que alguns parlamentares, em especial o ora denunciado, valeu-se de seu mandato, outorgado pelo voto popular, não apenas para se proteger das investigações da ‘Operação Lava Jato’, mas também para barrar o avanço do Estado na descoberta de graves crimes praticados pelas altas autoridades do país, num verdadeiro desvio de finalidade da função parlamentar”, afirma Janot.

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Grampos no âmbito da Operação Patmos revelaram que o tucano ligou para o ministro do Supremo ressaltando a ‘importância’ do apoio do senador do Pará em relação à pauta’.

Na conversa gravada ele sugere ao ministro do Supremo. “Dá uma palavrinha com o Flexa.., a importância disso e no final dá sinal para ele porque ele não é muito assim… de entender a profundidade da coisa… fala..acompanha a posição do Aécio porque eu acho que é mais serena. Porque o que a gente pode fazer no limite? Apresenta um destaque para dar uma satisfação para a bancada e vota o texto.., que vota antes, entendeu?”

O tucano é acusado de corrupção passiva pelo suposto recebimento de R$ 2 milhões em propina da JBS e por obstrução de Justiça por tentar impedir os avanços da Lava Jato.

Janot também pediu a abertura de um novo inquérito para investigar o crime de lavagem de dinheiro.

Aécio foi gravado pedindo R$ 2 milhões a Joesley Batista, acionista da JBS. Os valores teriam sido repassados ao primo do senador, Frederico Pacheco, o Fred, e as primeiras tratativas teriam sido realizadas pela irmã do senador, Andrea Neves – estão em posse da Polícia Federal a filmagem dos repasses ao suposto receptor do tucano e conversas de WhatsApp com as solicitações de Andrea.

Apesar de justificar que os R$ 2 milhões seriam para bancar advogados de defesa, o dinheiro foi transportado para Mendherson Souza, assessor de Zezé Perrella (PSDB-MG).

COM A PALAVRA, AÉCIO

Nota da defesa do senador Aécio Neves

A Defesa do Senador Aécio Neves recebe com surpresa a notícia de que, na data de hoje, foi oferecida denúncia contra ele em relação aos fatos envolvendo o Sr. Joesley Batista.  Diversas diligências de fundamental importância não foram realizadas, como a oitiva do Senador e a perícia nas gravações. Assim, a Defesa lamenta o açodamento no oferecimento da denúncia e aguarda ter acesso ao seu teor para que possa demonstrar a correção da conduta do Senador Aécio Neves.

Alberto Zacharias Toron

COM A PALAVRA, A DEFESA DE ANDRÉA NEVES

A defesa de Andrea Neves, irmã do senador afastado Aécio Neves (PSDB-MG), considera que o oferecimento de denúncia por corrupção passiva dará a ela a oportunidade de provar sua inocência.

O advogado Marcelo Leonardo alega que Andrea Neves não negociou propina e teve apenas um encontro com o dono da JBS, Joesley Batista. De acordo com a defesa, Andrea ofereceu para Joesley um apartamento da família, mas o empresário não se interessou pela compra e quis fazer uma reunião pessoal com o senador Aécio Neves. “A partir disso, Andrea não teve mais nenhuma participação nos fatos”, diz nota da defesa.

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Luiz Vassallo, Breno Pires, Isadora Peron e Isabela Bonfim
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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