sexta-feira, 2 de junho de 2017

JBS-Friboi entregou registros de pagamentos para a Focal, gráfica oficial do PT


Imagem: Reprodução/Google Street View
Os irmãos Joesley e Wesley Batista entregaram, na delação do apocalipse político, os registros de pagamentos para a Focal Confecções e Comunicação Visual, gráfica e organizadora de comícios das campanhas de 2010 e 2014 da ex-presidente Dilma Rousseff. São despesas de 2010 e 2011 que somam R$ 1 milhão.


A Focal, com sede em São Bernardo do Campo, no ABC paulista, pertence a Carlos Roberto Cortegoso, empresário alvo das operações Custo Brasil e Lava Jato e também do processo contra a chapa Dilma e Michel Temer, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

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Os pagamentos teria saído das “contas” mantidas pelo dono da J&F Joesley Batista, em benefício de Dilma e do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Juntas, essas “contas” chegaram a ter um saldo de US$ 150 milhões, segundo os delatores. O responsável pelo crédito e pelo ordenamento das despesas seria o ex-ministro da Fazenda Guido Mantega.

A Focal, empresa que faz materiais e monta palanques para o PT, desde as campanhas de Lula, é acusada de fornecer notas frias e de receber via caixa 2 pelos serviços prestados aos petistas.

A Focal foi a segunda maior fornecedora da campanha de reeleição de Dilma. Recebeu R$ 24 milhões – atrás apenas do marqueteiro João Santana, que recebeu R$ 70 milhões.

Lula. A Focal cresceu com o PT. Cortegoso, conhecido como “o garçom de Lula”, por ter trabalhado em um bar frequentado pelo ex-presidente na época de sindicalismo, montou a empresa no fim dos anos 1990.

A Focal produzia camisetas e material de campanha. A empresa, que atualmente presta serviços ao PT, foi aberta em 2005 e tem sede em um galpão, no ABC paulista. Ela sucedeu a Ponto Focal, usada até aquele ano para prestar serviços ao partido. A empresa está registrada em nome da filha e de um funcionário, mas é de Cortegoso.

A partir de 2003, o negócio cresceu rapidamente e ele virou o principal fornecedor do partido. Os primeiros negócios suspeitos com o PT surgiram em 2005, quando Cortegoso e a Focal foram citados pelo publicitário Marcos Valério na CPI dos Correios como destinatários de dinheiro de caixa 2 do mensalão. Os membros da comissão concluíram que a empresa teria recebido R$ 300 mil do esquema.

Mesmo alçado ao centro do – até então – maior escândalo do PT, Cortegoso não teve problemas para continuar como fornecedor do partido. Em 2006, na campanha à reeleição de Lula pagou R$ 3,9 milhões à Focal. Quatro anos depois, na primeira campanha de Dilma, os gastos do partido com a empresa quase quadruplicaram, chegaram a R$ 14,5 milhões.

Desde a disputa de reeleição de Lula, em 2006, ele virou o principal fornecedor de estruturas de palanques e materiais de campanha, como faixas, placas e banners. 

Quebra. A Focal teve seu sigilo quebrado nas investigações. Os valores pagos a subcontratadas são um dos principais problemas encontrados nos repasses feitos para a empresa de Cortegoso. Segundo laudo, ela recebeu R$ 3,2 milhões de forma irregular da campanha presidencial de 2014 e pode ter sido usada para desvios de recursos eleitorais.

Os peritos do TSE, por exemplo, encontraram uma discrepância milionária entre o valor recebido da campanha presidencial da chapa Dilma e Temer pela empresa e o declarado pela empresa como pago à subcontratadas para a realização de eventos – uma diferença de 324%. Foram encontrados ainda pagamentos para empresas distintas das declaradas e falta comprovação de serviços.

“A documentação fiscal apresentada pela Focal não comprova a efetiva e inequívoca prestação dos serviços e materiais produzidos na campanha presidencial em sua integralidade”, sustentam os peritos contáveis, que fizeram análise das notas emitidas pela empresa.

“Conforme documentação encaminhada, a Focal declarou que vários produtos e serviços de eventos, fornecidos à campanha, foram subcontratados. Contudo, da análise, não foi possível identificar quais produtos e serviços foram realizados diretamente pela empresa e quais foram subcontratados.”

Cortegoso tem outra empresa usada para os serviços para o PT, CRLS Consultoria e Eventos. Relatório da Receita Federal repassado à Polícia Federal e ao Ministério Público Federal revela que, entre 2010 e 2014, uma das empresas movimentou quase R$ 50 milhões, de créditos e débitos, um quinto do valor declarado de receita bruta no período.

A movimentação financeira pessoal de Cortegoso chegou a ser “69 vezes maior do que o valor dos seus rendimentos declarados” à Receita Federal. O documento mostra que nos anos de 2010, 2012, 2013 e 2014 a movimentação financeira de Cortegoso foi muito superior aos rendimentos declarados.

Além da campanha presidencial, a empresa de Cortegoso recebeu da candidatura da senadora Gleisi Hoffmann (PT-PR), mulher do ex-ministro Paulo Bernardo, e que também recebeu recursos da JBS, segundo os delator,m dentro do acerto com Mantega.

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Ricardo Brandt, Fausto Macedo, Julia Affonso e Luiz Vassallo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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