quarta-feira, 7 de junho de 2017

'O Brasil realmente idolatra bandidos', desabafa promotor ao ver selfies de Suzanne Von Richtoffen com fãs


Imagem: Produção ilustrativa / Folha Política
O promotor Rodrigo Merli Antunes, que atua no Tribunal do Júri de Guarulhos, chocado com a revelação de que há pessoas que pedem "selfies" com a assassina Suzanne Von Richtoffen, questiona as causas dessa distorção de valores: "Estamos, definitivamente, no fundo do poço! Mas, em um Estado onde se procura desarmar o cidadão de bem; onde se ataca a polícia e se venera o bandido; onde o sistema prisional é deixado de lado; e onde as leis penais e suas interpretações são cada vez mais favoráveis aos facínoras, por óbvio não seria de se esperar outra coisa".

Adoradores de uma assassina
Esta semana li uma notícia que custei a acreditar que fosse verdade. No entanto, por conta até mesmo das fotografias que ilustravam a matéria, percebi que era mesmo realidade. Suzane Von Richtofen, aquela garota que arquitetou a morte dos próprios pais, vem sendo idolatrada nas ruas por ocasião de suas saídas temporárias da prisão, isso na cidade de Itapeva - SP, local onde parece residir o seu atual namorado.
Segundo a reportagem, as pessoas a abordam no meio da via pública e pedem autógrafos e selfies, como se a assassina fosse uma celebridade ou algo parecido.
É o fim do mundo, não?
Como pode existir gente assim? Fico pensando em uma resposta para essa indagação e só consigo vislumbrar o seguinte: O Brasil é mesmo o país da bandidolatria e do democídio. Meu colega de Ministério Público (Diego Pessi - do Rio Grande do Sul) é que está redondamente certo quanto a isso. Na realidade, o Estado brasileiro e todo o nosso sistema legal e jurisdicional vigente incentivam essa atual carnificina nacional (60.000 homicídios por ano), fazendo com que muitos desavisados se acostumem com o crime e com seus respectivos autores, passando até mesmo a considera-los pessoas famosas e com um certo glamour.Estamos, definitivamente, no fundo do poço!
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Mas, em um Estado onde se procura desarmar o cidadão de bem; onde se ataca a polícia e se venera o bandido; onde o sistema prisional é deixado de lado; e onde as leis penais e suas interpretações são cada vez mais favoráveis aos facínoras, por óbvio não seria de se esperar outra coisa. Desse propalado estágio de coisas, até o de se idolatrar homicidas, a diferença é muito tênue (é só um "pulinho"), já tendo ocorrido essa situação meses atrás com o goleiro Bruno e agora com essa moça que me recuso a repetir o nome.
Ou seja, incentivadas pelo próprio Estado, as pessoas estão ficando cada vez mais complacentes com os crimes, tornando-se seres completamente retardados e imbecis.Ao invés de adorarem a Deus e a Cristo, preferem reverenciar o diabo, o goleiro Bruno e a tal Suzane. Afinal de contas, todos eles são farinha do mesmo saco.
Nunca pensei que fosse chegar a esse ponto, mas hoje a minha tendência é a de concordar com aquilo que o escritor Nelson Rodrigues já afirmou um dia. Disse ele certa vez que chegaria um tempo em que os idiotas iriam dominar o mundo. Não pela capacidade propriamente dita, mas sim pela quantidade, até porque se espalhariam por toda a Terra.
Pois bem, creio que esse tempo já chegou. Os desavisados e seus semelhantes estão em toda parte, especialmente no Brasil.
Outro dia recebi um áudio de uma sessão do Supremo Tribunal Federal onde os ministros faziam chacota de um determinado caso, este onde teria havido apreensão de pequena quantidade de maconha. Em determinado instante, um dos ministros afirmou que aquilo não era crime porque a quantidade de entorpecente era extremamente irrisória, não sendo suficiente nem mesmo para que fosse aceso e fumado. Segundo esse magistrado da mais alta Corte de Justiça brasileira, um assessor seu havia acabado de lhe confidenciar esse detalhe, circunstância esta a deixar bem claro que temos um maconheiro na assessoria de um dos nossos ministros do STF. E o pior é que todos os presentes deram gargalhadas ao final dessa observação, como se isso fosse motivo para rir e não para chorar.
É desesperador ou não é? Não sei o que o leitor acha, mas eu entendo que sim. Mas, de qualquer forma, por mais que o governo e o sistema tenham mesmo a sua parcela de culpa (induzindo os cidadãos a serem benevolentes com o crime e com os criminosos), é fato que, por outro lado, a decisão de se tornar um bandidólatra é exclusivamente do indivíduo. A escolha é estritamente individual e solitária. Por mais que o meio social nos incentive para tanto, só vamos reverenciar bandidos se efetivamente quisermos. E, para a nossa atual desgraça, o pior é que muitos querem exatamente isso.
E qual a explicação para toda essa excrecência? Bem, na realidade, eu poderia dar aqui algumas diferentes justificativas para isso, desde questões políticas e ideológicas (relacionadas, em especial, ao lumpemproletariado de Herbert Marcuse), até aspectos filosóficos e de alta complexidade. Entretanto, prefiro ficar com algo bem mais simples e bastante inteligível: As pessoas estão cada vez mais separadas de Deus e de Seus princípios, sendo essa a razão para se apegarem ao mal, ao pecado e ao pecador (bandidolatria).
Ah, desculpe, você não gostou dessa minha resposta? Achou muito vaga? Me considera muito conservador e pouco progressista? Então me perdoe mais uma vez. Todavia, reafirmo que não existe nada mais concreto contra a bandidolatria do que isso. Se o leitor sofre de Cristofobia, então paciência, mas que o Cristianismo é aquilo que há de mais efetivo e eficaz contra a adoração das bestas feras, disso não tenho dúvidas.
O livro de Provérbios preceitua que aquele que passa a mão na cabeça do ímpio causará a indignação dos povos e será amaldiçoado, ao passo que aquele que condena os culpados terá vida agradável e receberá grandes bênçãos.Ou seja, ao contrário do que muitos propagam por aí, as Escrituras Sagradas não possuem só palavras de amor e de perdão. Antes disso tudo, possuem também importantes ensinamentos de justiça.
Nos dizeres do filósofo Mário Ferreira dos Santos, todos os exploradores e expropriadores do homem (bandidos e bandidólatras) têm verdadeira ojeriza ao Cristianismo, porque esse, em sua pureza moral e filosófica, não se compadece com tais práticas. É demasiadamente humano para agradar a desumanos. É extremamente ético para agradar monstros morais, e é por demais nobre e digno para agradar almas sujas e infames.
Em resumo, e conforme já dito no início, a escolha é sua. O leitor pode escolher idolatrar a Deus e a Seus ensinamentos, ou pode escolher venerar o Bruno, a Suzane, o capeta e Cia Ltda. Mas, depois, não me venha com reclamações e chorumelas, e vá idolatrar o seu bandido bem longe de mim!

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Luciana Camargo 
Folha Política
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