sexta-feira, 21 de julho de 2017

Chega a 100 o número de mortos pela ditadura venezuelana em três meses de protestos


Imagem: Miguel Gutierrez / EPA
A Procuradoria-Geral da Venezuela informou nesta sexta-feira que o número de mortos em três meses e meio de violentos protestos chegou a 103. Apenas ontem, durante uma greve geral de 24 horas convocada pela oposição, cinco jovens morreram e 367 pessoas foram presas pela Guarda Nacional Bolivariana, segundo a ONG Foro Penal. O país do presidente Nicolás Maduro vive uma grave crise política e econômica, enquanto governo e oposição travam um árduo cabo de guerra pelo poder, recentemente agravado pela convocação pelo governo de uma Assembleia Constituinte, que poderá modificar as leis e até dissolver o Parlamento controlado pela oposição, para 30 de julho.


O Ministério Público afirmou que, entre as cinco vítimas, um menor morreu na quinta-feira, durante os distúrbios ocorridos em uma manifestação em Pomona, no estado de Zulia. Os outros quatros eram dois jovens de 23 e 24 anos e outros dois de 34 anos. As circunstâncias ad morte ainda não foram esclarecidas. O cenário durante a greve ontem era de guerra: ruas desertas, ônibus fora de circulação e barricadas em diversos pontos do país.

Até a madrugada desta sexta-feira, pequenos grupos de manifestantes bloqueavam algumas ruas com barricadas. A oposição estima que 85% dos trabalhadores aderiram à greve geral, com o comércio fechado e a circulação dos transportes públicos parcialmente afetada. De acordo com Maduro, a paralisação foi um fracasso, porque setores-chave da economia, como a indústria do petróleo, operaram a 100%.

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Em Altamira, bairro de Caracas, agentes da Guarda Nacional Bolivariana (GNB) atiraram e lançaram bombas de gás lacrimogêneo contra uma manifestação na autoestrada Francisco Fajardo, deixando dois feridos. No estado de Nueva Esparta, 42 pessoas foram presas em meio à repressão da GNB. Entre os presos, estão menores de idade e idosos, segundo o jornal "El Nacional". Em Chacao, bastião opositor da capital, somente alguns poucos restaurantes estavam abertos, enquanto as ruas estavam fechadas por barricadas.

Já patrões em empresas estatais, incluindo a empresa petrolífera PDVSA, que traz 95% da receita de exportação da Venezuela, determinaram que quase 3 milhões de funcionários públicos ignorassem a greve. Não é esperada uma interrupção do setor do petróleo.

Enquanto isso, a pressão sobre Maduro crescia na quinta-feira também no exterior. A cúpula do Mercosul deixou no ar a ameaça de suspensão do país — os presidentes do bloco farão hoje um duro pronunciamento sobre a crise venezuelana. Eles podem, segundo adiantado, até anunciar a decisão de avançar na aplicação da Cláusula Democrática contra o regime de Maduro.

O cenário escolhido para anunciar a adoção de “medidas políticas” drásticas contra o Palácio de Miraflores foi a cúpula de chefes de Estado do bloco, na cidade argentina de Mendoza, da qual a Venezuela não participará, já que em dezembro do ano passado perdeu voz e voto dentro do Mercosul pelo não cumprimento de normas internas. Segundo informou o vice-ministro das Relações Exteriores da Argentina, Daniel Raimundi, os quatro países fundadores do bloco (Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai) consideram já existir uma ruptura inadmissível da ordem constitucional e rechaçam a Assembleia Constituinte convocada por Maduro, cuja eleição está prevista para o próximo dia 30 de julho. Será a iniciativa mais contundente de um bloco regional contra a Venezuela. Na prática, significaria — se adotada — a suspensão definitiva do país.

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O Globo
Editado por Folha Política
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