segunda-feira, 10 de julho de 2017

Deputado trocado na CCJ acusa partido de vender sua vaga ao governo


Imagem: Luís Macedo / Câmara dos Deputados
Um dos quatro deputados federais do PR que foram substituídos na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara nesta segunda-feira (10) pelo líder da legenda na Casa, o deputado federal Delegado Waldir (PR-GO) se disse "revoltado" por ter sido trocado, declarou que votaria a favor da denúncia contra o presidente Michel Temer (PMDB) e acusou o seu partido de vender sua vaga ao governo federal, que teria tentado comprar o seu voto com emendas parlamentares.




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"Dois anos e meio nessa comissão como titular e aí eu tomo consciência pela imprensa que eu não presto. Eu não vendo meu voto, não troco por cargos, por emendas. Lixo, lixo de governo", gritou o parlamentar dentro do plenário da CCJ. "A minha vaga foi vendida ao governo", declarou Waldir, em entrevista coletiva, em que acusou o líder do PR na Câmara, deputado José Rocha (BA), de cometer uma "covardia" contra ele.

Questionado se o governo lhe ofereceu algo para mudar seu voto, ele disse que "a proposta veio durante a semana". "Mandaram R$ 3 milhões e depois mais R$ 5 milhões [em emendas]", afirmou.

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Sobre a acusação de que o governo tentou comprar seu voto, Waldir disse não ter sido o único. "Eu sei que nas últimas semanas, houve um caminhão de liberação de emendas. Não é assim que se faz um governo. O governo acabou. Pega o chapéu e vai embora."

"Minha manifestação já em outras oportunidades é contra esse governo corrupto. No dia em que surgiram as gravações [da conversa entre o presidente e o empresário Joesley Batista, um dos donos do grupo J&F] eu já falei 'fora, Temer'", disse o deputado, que anunciou que votaria contra "uma organização criminosa que está no poder".

Ele afirmou ainda não se interessar por "barganhas e negociatas". "Isso na política é nojento", declarou. Waldir disse estar revoltado por ter sido substituído "sem justificativa". "Eu acabei de chegar de Goiânia, vim direto para a comissão. Hoje é segunda-feira, eu sou membro titular, extremamente ativo", afirmou o parlamentar.

Além de Waldir, o PR retirou outros três deputados que eram membros titulares da comissão: Jorginho Mello (SC), Marcelo Delaroli (RJ) e Paulo Freire (SP). Nos seus lugares, foram nomeados Bilac Pinto (MG), Laerte Bessa (DF), Magda Mofatto (GO) e Milton Monti (SP).

O deputado Major Olímpio (SD-SP) se exaltou ao comentar as trocas de integrantes na CCJ por partidos aliados a Temer e chegou a chamar a atitude de "criminosa".

Segundo Olímpio, os deputados membros da CCJ foram "comercializados criminosamente". Nesse momento foram ouvidas algumas vaias no plenário da comissão e Olímpio reagiu: "Quem está vaiando também está recebendo pra vaiar. Criminosos. Criminosos!", respondeu, aos gritos.

O UOL procurou o Palácio do Planalto para comentar as acusações, mas ainda não obteve retorno.

Temer denunciado

Temer foi denunciado pelo crime de corrupção pela PGR (Procuradoria-Geral da República).

Para que o processo tenha seguimento e o presidente seja julgado perante o STF (Supremo Tribunal Federal) é preciso que primeiro os deputados deem aval ao processo.

Depois de passar pela CCJ, a denúncia da PGR segue para o plenário da Câmara, onde precisa do voto favorável de ao menos 342 dos 513 deputados.

A votação na Câmara determina apenas a autorização para que o Supremo julgue o presidente, e não representa, em tese, um juízo de culpa sobre se ele de fato cometeu o crime.

Caso o prosseguimento do processo seja aprovado pela Câmara, os 11 ministros do STF ainda precisam analisar se recebem a denúncia da Procuradoria contra Temer. Se aceita, este faria com que Temer se tornasse réu pelo crime de corrupção e o deixaria afastado do mandato por 180 dias ou até o julgamento do processo pelo Supremo.

Caso a ação não seja julgada em 180 dias, o presidente retoma o cargo, mas o processo continua sua tramitação no Supremo.

No período de afastamento, assume a Presidência da República o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

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Felipe Amorim e Gustavo Maia
UOL
Editado por Folha Política
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