sexta-feira, 14 de julho de 2017

Eduardo Cunha entrega anexos de delação premiada à PGR


Imagem: Reprodução / Redes Sociais
O ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha (PMDB-RJ) entregou na última sexta-feira, 7, os anexos de sua proposta de delação premiada à Procuradoria-Geral da República (PGR) para a continuação das negociações para obter o benefício, de acordo com informações do jornal Valor Econômico. O material ainda está sendo analisado pelos investigadores.
Preso desde outubro do ano passado em Curitiba (PR), Cunha disputa o acordo de delação com seu ex-operador, Lúcio Funaro. Somente um deles se tornará colaborador da Justiça, garantem os investigadores: "Por essa porta só vai passar um".


As delações de ambos têm como pano de fundo a segunda denúncia que a PGR apresentará contra o presidente Michel Temer. Prevista para ser encaminhada em agosto ao Supremo Tribunal Federal (STF), a peça acusa Temer de ter obstruído investigações ao ter dado sua anuência pessoal à compra do silêncio de Cunha e Funaro.

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Formalmente, a delação de Cunha está mais avançada. No entanto, há um pessimismo com o acordo do peemedebista decorrente do seu histórico de "faltar com a verdade". Há também a percepção de que ele teria poucas novidades bombásticas a ponto de ser vantajoso para a PGR aliviar a pena do ex-deputado. Ademais, a leitura é de que o roteiro de Cunha seria, basicamente, o mesmo de Funaro. Na comparação com Cunha, a avaliação é de que Funaro teria mais provas concretas a entregar. 

Cunha deve revelar esquemas de propina e pagamento de caixa 2 a campanhas de seus correligionários, além de traçar o caminho do recebimento de dinheiro sujo por pelo menos meia centena de políticos. Entre eles, o presidente da República, Michel Temer (PMDB), e seus mais próximos aliados.

Já o doleiro tem demonstrado nos últimos depoimentos, de forma mais enfática, as suas intenções. Até agora, o principal implicado por ele foi o ex-ministro Geddel Vieira Lima, que chegou a ser preso após Funaro tê-lo acusado de pressionar sua família para interromper a delação.

Em nova oitiva, feita na semana passada, o doleiro voltou à carga. Disse aos policiais que entregou pessoalmente malas de dinheiro a Geddel em uma sala no aeroporto de Salvador.

Inicialmente, Cunha se mostrava relutante em propor colaboração. Mas, agora, se apressa para tentar deixar a cadeia. Ele planejava esperar a saída de Rodrigo Janot do comando da PGR, em setembro, para propor o acordo. O peemedebista, no entanto, notou que a sucessora do procurador, Raquel Dodge deve endurecer as investigações da Lava Jato. Por isso, Cunha corre contra o tempo para apresentar a proposta a Janot.


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Diário do Poder
Editado por Folha Política
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