terça-feira, 25 de julho de 2017

Em ação coordenada, MST ocupa fazendas de Maggi, Ricardo Teixeira e coronel amigo de Temer


Imagem: MST
O MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) ocupou três fazendas na madrugada e manhã desta terça-feira (25) em três Estados diferentes. Os atos coordenados atingem as terras do ministro da Agricultura Blairo Maggi, do ex-presidente da CBF (Confederação Brasileira de Futebol) Ricardo Teixeira e do coronel João Baptista Lima, amigo do presidente da República Michel Temer (PMDB).



Em nota, os sem-terra informam que as ações coordenadas fazem parte da jornada nacional de luta pela Reforma Agrária com o lema "Corruptos, devolvam nossas terras!". Além das ocupações, o MST também inicia vigília até o dia 2 de agosto, quando deve ser julgado na Câmara de Deputados o prosseguimento de denúncia contra Temer. 

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Os trabalhadores rurais dizem protestar também contra o aumento da violência no campo. Segundo o MST, foram 68 vítimas em 2017, sendo 13 jovens, 6 mulheres, 13 indígenas e 4 quilombolas.

Ocupações

No caso da ocupação da fazenda que seria do ministro, o MST diz que a área pertence ao Grupo AMAGGI e está localizada nas margens da BR-163, a 25 km da cidade de Rondonópolis (MT). Segundo o movimento, cerca de 1000 famílias dos Estados da região Centro-Oeste e DF estão na fazenda do da Agricultura desde a madrugada de hoje.

Os sem-terra citam a fortuna do ministro como justificativa para a ação. "A família Maggi, segundo a revista Forbes de 2014, ocupava o sétimo lugar no ranking entre as famílias mais bilionárias do Brasil com uma fortuna estimada em 4,9 bilhões de dólares", informou o movimento em nota, dizendo ainda que a fazenda Nossa Senhora Aparecida, no município de Jaciara, é fruto de "apropriação de terras públicas".

A Polícia Civil e Polícia Federal de Rondonópolis afirmam não ter conhecimento da ocupação no terreno de Maggi.

Já as terras atribuídas ao coronel Lima ficam em Duartina, no interior de São Paulo, e possuem 1.500 hectares. "Oficialmente está registrada como sede da empresa Argeplan (Arquitetura e Engenharia LTDA.), no entanto os moradores locais a identificam como 'a fazenda do Temer' e afirmam que grande parte da área foi grilada", afirmou o movimento também em nota.

A fazenda Santa Rosa, atribuída pelo MST a Ricardo Teixeira, está sendo ocupada por cerca de 350 famílias. As terras estão localizadas no município de Piraí, região sul do Rio de Janeiro, e concentra mais de 1.500 hectares. 

"Ricardo Teixeira não só desencadeou todo um sistema de estelionato sobre o futebol e lavagem de dinheiro no Brasil, segundo estimam procuradores do Ministério Público Federal, como sua expertise em corrupção no futebol é pauta do FBI e da polícia Espanhola. Muitas destas lavagens de dinheiro passam pelo contexto da aquisição e valorização especulativa de grandes extensões de terras", disse o MST.

Maggi, Teixeira e Lima ainda não foram localizados para comentar a ocupação.

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Carlos Madeiro
UOL
Editado por Folha Política
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