sábado, 1 de julho de 2017

'Enquanto houver bambu, vai ter flecha', diz Janot, sobre fim de mandato


Imagem: Alex Silva / Estadão
O Procurador Geral da República, Rodrigo Janot, afirmou que vai manter o "mesmo ritmo" até o dia 17 de setembro, quando então passará o bastão para a sua substituta Raquel Dodge, segunda mais votada na lista triplice da procuradoria. "Enquanto houver bambu lá vai flecha. Até 17 de setembro a caneta está na minha mão. Dia 18 não está mais. Ainda bem. Vou continuar nesse ritmo que estou", afirmou Janot, em palestra no 12º Congresso da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), em São Paulo.




Segundo ele, a escolha do nome de Raquel como sua substituta foi legítima e representa um avanço institucional enorme, apesar de seu favorito ser Nicolau Dino, o mais votado.

"Participei de dois processos e integrei a lista em primeiro lugar. Nas minhas campanhas, eu disse que o primeiro nome da lista não é obrigatório. O importante é consolidar a lista. Isso ele (Temer) fez. É um avanço constitucional enorme. A lista é triplice. A escolha para mim foi legítima", disse ele. 

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Questionado sobre a rivalidade com a sua sucessora, ele afirmou que não a persegue e que suas divergências com ela são apenas de entendimento. "Dizem que persigo ela. Que sou inimigo. Não tenho nada contra a doutora Raquel. Temos diferença de entendimento. Tenho que ter flexibilidade para fazer acordo de delação. Caso contrário, não tem acordo", disse Janot.

Raquel assume a PGR no dia 17 de setembro. O mais votado da lista da associação nacional dos procuradores da república (ANPR) foi o subprocurador-geral Nicolau Dino, com 621 votos. Raquel recebeu 587 votos. 

Denúncia. No mesmo evento, Rodrigo Janot afirmou que não gostou de apresentar denúncia contra o presidente Michel Temer por corrupção no Supremo Tribunal Federal. A iniciativa, de acordo com ele, além de estar expressa na lei faz parte do seu trabalho.

"Não gostei de apresentar a denúncia. Ninguém tem esse prazer louco: Ahhh... vamos denunciar! Faz parte do trabalho. Fazer o quê?", disse o procurador. Janot também disse que se não tivesse denunciado Temer, seria considerado "um louco" ou desconfiariam de que "algo a mais existe". De acordo com ele, se não tivesse firmado acordo com os irmãos Batista, no qual ofereceu em troca imunidade aos colaboradores, teria permitido que o crime em curso continuasse a ser praticado.

"Teríamos mais malas a toda semana. Não foi a primeira imunidade concedida. Foram seis antes desta. Esta causou tanta comoção porque envolveu o mais alto dignatário da República", avaliou Rodrigo Janot.

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Pedro Venceslau, Aline Bronzati e Fabio Serapião
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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