sexta-feira, 7 de julho de 2017

Ex-advogado de Cabral e citado na Lava Jato é nomeado para o TRE


Imagem: Reprodução / JB
O presidente Michel Temer nomeou há um mês o advogado Raphael Mattos, citado nas investigações da Lava Jato no Rio, para ocupar o cargo de juiz do TRE (Tribunal Regional Eleitoral) do Rio.




Mattos participou em 2015 de uma reunião com os doleiros Renato e Marcelo Chebar junto com o advogado Ary Bergher e Flávio Godinho, braço-direito de Eike Batista no grupo EBX. O objetivo era discutir a apreensão, feita semanas antes numa das fases da Lava Jato, do comprovante bancário da propina paga no exterior pelo empresário ao ex-governador Sérgio Cabral.

No encontro, os irmãos delatores afirmam ter recebido de Godinho orientações sobre formas de explicar o depósito, feito na conta de uma empresa em nome deles. A Polícia Federal apura as circunstâncias da reunião.

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De acordo com os doleiros, Godinho foi o responsável por conduzir a conversa. Ele orientou que os dois estudassem as atividades da Centennial Asset Mining, holding de Eike, e uma mina de ouro que ela havia acabado de vender.

A propina de US$ 16,5 milhões foi paga com base num contrato fictício assinado em 2011 indicando a empresa Arcadia, em nome dos Chebar, como responsável pela intermediação do negócio.

"Eles [Mattos e Bergher] estavam presentes, mas só escutaram. O Godinho que falou para eu estudar bem, entrar na internet e ler sobre a Centennial", disse Renato Chebar em depoimento à Justiça.

Questionado pelo juiz Marcelo Bretas, responsável pela Lava Jato no Rio, se Mattos e Bergher sabiam que o contrato era fictício, o doleiro respondeu: "Olha... Essa pergunta é difícil. A princípio sim, todos sabiam".

Mattos foi escolhido em 2015 para integrar a lista tríplice do Tribunal de Justiça a ser enviada ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Em razão de problemas judiciais de outros candidatos, a escolha foi adiada por quase dois anos até a sua nomeação, em 30 de maio.

Mattos afirmou que não pode fazer comentários sobre suas atividades como advogado por sigilo profissional. Disse, contudo, não ser alvo de nenhuma investigação contra si.

"Tenho sigilo profissional. Se um advogado criminal não puder atender uma pessoa com problema criminal, é melhor acabar com a advocacia", afirmou ele.

A Presidência da República afirmou, em nota, que "todos os trâmites legais para nomeação foram respeitados".

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Ítalo Nogueira
Folha de S. Paulo
Editado por Folha Política
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