quarta-feira, 5 de julho de 2017

Funaro é transferido da Papuda para carceragem da PF


Imagem: Alexandre Schneider / Veja
A pedido do Ministério Público Federal, com quem negocia um acordo de colaboração premiada, o doleiro Lúcio Funaro, operador de propinas do PMDB, foi transferido nesta quarta-feira do Complexo Penitenciário da Papuda para a carceragem da Polícia Federal, em Brasília. Funaro vai passar uma temporada de dez dias na sede da PF, até o dia 14 de julho.




A decisão foi do juiz Vallisney de Souza Oliveira, da 10ª Vara Federal de Brasília, que mandou prender Funaro provisoriamente na Operação Sépsis, há um ano. A diretoria do Centro de Detenção Provisória da Papuda recebeu comunicado eletrônico da Vara de Execuções Penais do Distrito Federal para transferir Funaro imediatamente, com escolta da PF.

A delação de Funaro, caso se concretize, é tida por aliados do presidente Michel Temer como um dos fatores que agravaria a crise e poderia levar à queda do peemedebista. Em conversas com advogados, o doleiro demonstrou irritação com o fato de sua irmã ter sido presa em maio (ela foi solta no mês passado). Ele também revelou que sua mulher vinha sendo pressionada por mensagens pelo ex-ministro Geddel Vieira Lima, amigo fraterno de Temer, que queria saber se Funaro fecharia uma delação premiada. Geddel foi preso na segunda-feira passada – o juiz cita na decisão as “pressões” que o ex-ministro exercia.

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Funaro prometeu nas tratativas para a delação contar sobre fraudes que desfalcaram o Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço, o FI-FGTS, administrado pela Caixa Econômica Federal. Funaro diz que Temer teria solicitado cerca de 20 milhões de reais como comissão de operações do FI-FGTS para bancar campanhas em 2012 e 2014.

Ele também deve falar sobre os termos da delação da JBS. Em seus depoimentos, o empresário Joesley Batista afirmou que pagou propina para que o doleiro e o ex-deputado Eduardo Cunha, para quem o doleiro operou, se mantivessem calados na prisão, supostamente com aval de Temer – o que o presidente nega.

Chamado a falar sobre Temer no inquérito contra o presidente, Funaro afirmou que o presidente da República tinha pleno conhecimento de como funcionavam os esquemas de corrupção que abasteciam o cofre do PMDB e que chegou a se encontrar pessoalmente com ele.

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Felipe Frazão
Veja
Editado por Folha Política
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