quarta-feira, 19 de julho de 2017

Lobista revela R$ 11,5 milhões de propinas a Renan, Jader e Anibal


Imagem: Reprodução
O lobista Jorge Luz, preso desde fevereiro no âmbito da Operação Blackout, 38.ª fase da Lava Jato, afirmou, nesta quarta-feira,19, ao juiz Sérgio Moro que foi acertada propina de R$ 11,5 milhões de desvios da Petrobrás ao líder do PMDB no Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), ao senador Jader Barbalho (PMDB-PA) e ao deputado federal Aníbal Gomes (PMDB-CE) em troca do suposto apoio para fortalecer os ex-diretores da área Internacional Nestor Cerveró e de Abastecimento, Paulo Roberto Costa, na estatal. Ele teria sido informado por Fernando Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB, que os dois agentes públicos estariam ‘balançando’ em seus cargos por volta de 2005, e , por isso, pediu ajuda aos parlamentares. Em troca da suposta solicitação, os três teriam pedido propinas.



O lobista é réu acusado de intermediar propinas de R$ 2,5 milhões de executivos da empreiteira Schahin para funcionários da Petrobrás no âmbito de contratos da estatal.

Ele e seu filho, Bruno, também são investigados neste processo por intermediar valores indevidos a políticos do PMDB.

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A Moro, o lobista alegou que conhecia Jader e Renan ‘desde os anos 80’, e que voltou a contatá-los após ter recebido um pedido de ajuda de Fernando Baiano para ajudar os dois diretores da Petrobrás, em 2005. Segundo Luz, os agentes estavam ‘balançando no cargo’ e Baiano via nele uma chance de ‘aproximação com o PMDB’.

De acordo com o lobista, ele chegou a entrar primeiro em contato com Aníbal Gomes, que seria ‘muito ligado ao Renan’. O deputado teria tido uma primeira conversa com Jader, Renan e Silas Rondeau (ex-ministro de Minas e Energia do governo Lula). Com a resposta positiva dos peemedebistas a ajudar Cerveró e Paulo Roberto Costa, teriam ‘começado as negociações’.

“Havia um pedido alto para que houvesse esse apoio, o apoio se traduziria em ajuda financeira, e em uma oportunidade de que esses políticos pudessem participar de operações que viessem a surgir no decorrer do tempo. Isso aconteceu, acertaram. havia sido pedido um número, discutiram, e o Fernando e o Anibal – porque o Fernando representava os diretores e o Anibal os políticos – chegaram ao valor de 11,5 milhões de reais”, afirmou.

Jorge Luz afirmou a Moro que ainda houve uma reunião para que os diretores da Petrobrás tivessem certeza de quem seriam os beneficiários da propina. “Estávamos eu , o cervero o Paulo roberto costa, anibal, jhadfer. Eu não tenho certeza se o renan estava”.

Segundo Luz, o dinheiro vinha de uma ‘negociação que tinha sido feita entre o Fernando Soares junto com a Samsung, através de seu representante, Júlio Camargo’.

O lobista ainda disse a Moro que ‘sempre havia atrasos’ nos pagamentos e começou a existir um ‘desgaste’ entre Aníbal Gomes e Fernando Baiano. “O Aníbal pedia, pedia, e o Fernando, pelas razões que alegava, não podia, tava atrasado”.

“O Aníbal passava as contas para o Fernando, o Fernando passava para o Julio Camargo e o Julio fazia os pagamentos. O controle dos 11 milhões eu não tenho porque eu não participei. Eu participei de toda a estruturação e, quando em determinado momento a relação passou a ficar muito difícil, eu passei a ser intermediário na recepção das contas que o Aníbal passava e eu entregava ao Fernando. isso foi feito. Os 11 milhões e meio vieram”.


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Luiz Vassallo, Julia Affonso e Fausto Macedo
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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