sábado, 29 de julho de 2017

Motoristas aplaudem o Exército nas ruas do Rio de Janeiro


Imagem: Fernando Frazão / ABr
Cansados pela escalada da violência no Rio de Janeiro, a população viu o reforço da Força Nacional como um alento ao temor diário. Nessa sexta-feira, muitos motoristas que passaram pela Ponte Rio-Niterói e pelo Arco Metropolitano da cidade acenavam com gestos de apoio ao policiamento feito pelos militares do Exército.



Na Ponte Rio-Niterói, uma equipe de militares atuou junto com a PRF (Polícia Rodoviária Federal) após o pedágio, no sentido Niterói. Já no Arco Metropolitano, cerca de cem homens do Regimento Sampaio patrulharam a via com cerca de 15 caminhões e três blindados. Blitzes foram realizadas e revistas foram feitas em veículos.

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Na Linha Vermelha, uma equipe com cerca de 20 homens do 26º Batalhão de Infantaria Paraquedista fez uma blitz desde o início da tarde. Eles pararam carros e motos, pediram documentos e revistaram os veículos. Quem foi parado aprovou: “Estou achando bem bacana o movimento do Exército na rua para inibir e acabar um pouco com essa malandragem que está difícil aqui no Rio de Janeiro, com roubos de carga em tudo que é canto, roubo de carro. Acho que vai melhorar para a gente e não me incomodei nem um pouco em ser parado por eles. Dá mais sensação de segurança”, disse Thiago da Silva Correia.

“Melhor coisa que fizeram. Nós amamos os militares nas ruas. Estamos nos sentindo mais seguros, porque estamos vivendo em tempos de guerra”, afirmou uma passageira de um dos carros parados na blitz da Linha Vermelha.

O motociclista Eduardo Miranda afirmou que não se importava em ser parado na blitze: “Os militares têm que estar nas ruas do Rio, e isso já aumentou a nossa sensação de segurança.”

Decreto presidencial

A ação foi autorizada pelo governo federal, por decreto do presidente Michel Temer, até o final do ano. Entretanto, segundo o ministro da Defesa, Raul Jungmann, a presença dos militares será estendida até 2018. Ele disse que o decreto menciona apenas até o final de 2017 por questões burocráticas.

Conforme o ministro, os militares não serão empregados para o patrulhamento de rotina, como ocorreu em outras ações do Exército no Rio. A intenção é realizar operações pontuais em apoio às forças estaduais. “Nosso carro chefe é inteligência. Essa operação visa chegar ao crime organizado. […] Não vamos ter ocupações como fizemos na Maré. Quando colocamos a tropa nas ruas, isso inibe o crime. Dá uma sensação de segurança. Mas não resolve o problema”, disse Jungmann.

Crise no Rio

O Estado do Rio de Janeiro enfrenta um deficit de R$ 21 bilhões nos cofres públicos. A grave crise financeira teve como um dos resultados o atraso no salário de servidores, como os policiais.Um conjunto de fatores contribui para a situação caótica, com escalada da violência na região.

Dados do ISP (Instituto de Segurança Pública) indicam que a taxa de crimes com morte violenta não era tão alta desde 2009. Somente no primeiro trimestre de 2017, o número de homicídios dolosos cresceu 26% em relação ao mesmo período de 2016 e o de mortes decorrentes de operações policiais, 85%.

Até o plano de implantação de UPPs (Unidades de Polícia Pacificadora) tem apresentado maus resultados. Segundo a Polícia Militar do RJ, houve 13 confrontos em lugares com UPP em 2011 contra 1.555 em 2016. Do outro, confrontos entre grupos criminosos também têm sido mais frequentes.


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