terça-feira, 25 de julho de 2017

MPF apresenta documentos omitidos por delator e pede que Moro avalie acordo


Imagem: Reprodução
O Ministério Público Federal (MPF) pediu nesta segunda-feira (24), que o juiz Sérgio Moro avalie o acordo de delação premiada firmado com o empresário Milton Schahin, um dos donos do Grupo Schahin, que é investigado na Lava Jato. Segundo a procuradoria, foram encontradas provas de que ele pagou propina ao operador Jorge Luz e ao filho dele, Bruno Luz, que são réus em um dos processos da operação.



Em março deste ano, o MPF pediu à defesa de Milton Schahin que apresentasse documentos que comprovariam os repasses a Jorge e Bruno Luz, mas os advogados disseram que não encontraram nenhuma prova que pudesse ser entregue à Procuradoria.

Pai e filho são acusados de operarem pagamentos de propina no contrato de aluguel de navios-sonda pela área internacional da Petrobras, e Milton Schahin, de ter efetuado os repasses ilegais.

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No entanto, o Supremo Tribunal Federal (STF) compartilhou uma série de provas em que constam documentos apreendidos com o ex-presidente da Eltronuclear, Othon Luiz Pinheiro Silva, nos quais a Schahin Engenharia tinha firmado contratos com empresas offshore ilegais que eram operadas por Jorge e Bruno Luz.

"Desse modo, junta-se comunicações entre a defesa de Milton Schahin e esta Força-Tarefa, a fim de que a colaboração do acusado seja devidamente avaliada na sentença, mormente em relação à omissão na apresentação de documentação e de informações importantes para o deslinde da causa", diz trecho do pedido do MPF.

Documentos de Eduardo Cunha

No mesmo pedido, o MPF anexou além dos contratos, anotações apreendidas com o ex-deputado federal Eduardo Cunha, já condenado na Operação Lava Jato. Segundo os procuradores, as anotações apontam informações sobre cargos nos governos dos ex-presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos do PT. Para o MPF, os papeis apontam um suposto loteamento de cargos, "provavelmente em favor do PMDB".

"Um dos documentos traz informações acerca de cargos no “Gov Lula” e “Gov Dilma”, em alusão aos Governos dos ex-Presidentes da República Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, sendo que na coluna “Gov Lula” consta “Dir Int Petrobras” e “1/2 Dir Abast Petrobras”, o que faz alusão à diretoria internacional da Petrobras e a diretoria de abastecimento da Petrobras", dizem os procuradores.

Até o momento, o juiz Sérgio Moro não se manifestou sobre as novas provas apresentadas pelo MPF. O processo em que Jorge e Bruno Luz são réus já passou da fase de depoimentos, inclusive dos réus.

Moro deverá abrir prazo para que a acusação e a defesa apresentem as alegações finais. Em seguida, os autos voltam a Moro, que deve definir a sentença, em que poderá condenar ou absolver os réus.

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Samuel Nunes
G1
Editado por Folha Política
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