terça-feira, 11 de julho de 2017

MPF pede arquivamento de ação em que Lula era suspeito de obstruir Lava-Jato


Imagem: Jorge William / Agência O Globo
O Ministério Público Federal vai pedir nesta terça-feira à Justiça Federal de Brasília que arquive o Procedimento Investigatório Criminal (PIC) contra o ex-presidente Lula. O petista era suspeito de atrapalhar investigações da Operação Lava-Jato a partir de uma articulação com o Senado Federal. A suspeita partiu da colaboração premiada do ex-senador Delcídio do Amaral.



De acordo com o delator, Lula o convidou para uma reunião no Instituto Lula com Renan Calheiros, então presidente do Senado, e Edison Lobão, em 2015, com o objetivo de impedir o andamento da Lava-Jato. Depois de ouvir o delator e os outros senadores envolvidos, o procurador da República Ivan Cláudio Marx avaliou "não se vislumbrar no discurso de Delcídio a existência de real tentativa de embaraço às investigações da Operação Lava-Jato".

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Em depoimento ao MPF, Renan negou ter discutido nesta reunião a criação de um grupo de administração da crise, voltado a acompanhar o andamento da operação. Lobão, por sua vez, defendeu que a obstrução da Lava-Jato jamais foi levantada em qualquer reunião com Lula.

No documento enviado à Justiça, o MPF destaca um trecho da delação de Delcídio, no qual o delator explica que o objetivo do suposto grupo "era menos incisivo que embaraçar, mas o objetivo era organizar os discursos e oferecer um contraponto". O delator informou que, na prática, o efeito pretendido era de atrapalhar as investigações e que todos haviam entendido "perfeitamente" mesmo sem mensagem direta. Mas o órgão considerou que se trata de uma interpretação unilateral do ex-senador, não confirmada pelos demais participantes da reunião.

Ao pedir o arquivamento, o procurador ressaltou que o objetivo de Delcídio em citar Lula pode ter sido "interesse próprio", para "aumentar seu poder de barganha" com a Procuradoria-Geral da República no acordo de colaboração e ampliar seus benefícios.

Na avaliação do MPF, não há prática de crime ou ato de improbidade por parte de Lula neste caso. O pedido segue para análise do juiz substituto da 10ª Vara Federal de Brasília — a mesma em que tramita outro processo contra Delcídio e o petista pelo possível crime de obstruir a Justiça ao comprar o silêncio do ex-diretor da Petrobras Nestor Cerveró. A 5ª Câmara de coordenação e revisão do MPF ainda analisará os aspectos cíveis dos autos.

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Júlia Cople
O Globo
Editado por Folha Política
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