quinta-feira, 13 de julho de 2017

Na sentença do tríplex, sítio de Atibaia é citado 46 vezes


Imagem: Edilson Dantas / O Globo
O sítio de Atibaia foi mencionado 46 vezes na sentença em que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva foi condenado a nove anos e seis meses de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no recebimento do tríplex do Guarujá como "vantagem indevida da OAS". O juiz Sergio Moro afirma na sentença que diálogos aparentemente banais gravados durante o período de escuta "servem como "indícios da relação do ex-presidente com a referida propriedade".



Lula foi denunciado em maio passado pelo Ministério Público Federal (MPF) por corrupção e lavagem também no caso do sítio, que está em nome de terceiros — Fernando Bittar e Jonas Suassuna Filho, sócios de Fábio Luís, um dos filhos do ex-presidente. A aceitação da denúncia por Moro não foi divulgada, mas o caso é tratado como ação em andamento. Para os procuradores, a situação do sítio é semelhante à do tríplex, pois recebeu reformas feitas pelas empreiteiras OAS e Odebrecht, ambas beneficiadas por contratos da Petrobras.

"Há, é certo, alguns diálogos que parecem banais e eminentemente privados, mas exame cuidadoso revela sua pertinência e relevância com fatos em investigação, como por exemplo diálogos nos quais os interlocutores combinam encontros, inclusive em uma propriedade rural na região de Atibaia, e que embora não tenham conteúdo ilícito próprio servem como indícios da relação do ex-Presidente com a referida propriedade, o que é objeto de outra ação penal", escreveu Moro na sentença do tríplex.

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A defesa de Lula afirma que ele não é o dono do sítio de Atibaia, apenas usou a propriedade a convite de amigos. Na busca feita pela Polícia Federal na propriedade, foram encontrados produtos de uso pessoal da ex-primeira dama na suíte principal.

A referência ao sítio aparece também na explicação que o juiz dá para a interceptação telefônica de Roberto Teixeira, advogado de Lula. Moro afirma que o advogado foi interceptado porque é investigado em supostos crimes, como a aquisição do sítio em Atibaia, que pode ter usado pessoas interpostas.

Na sentença do tríplex o juiz lembra que as reformas do projeto da cozinha do sítio de Atibaia e do apartamento do Guarujá foram pagas pela OAS e contratadas da mesma fornecedora. Além disso, mensagens de executivos da empreiteira fazem referência a "dama" ou "madame" na aprovação dos projetos, que seria a ex-primeira dama Marisa Letícia, já falecida. As duas reformas foram feitas em 2014 para atender o ex-presidente,

Questionado sobre as mensagens durante audiência com Moro no caso do tríplex, Lula disse que não poderia responder por emails ou telefonemas entre terceiros. "Foi até mesmo encontrada no celular foto tirada no local, onde se visualizam, juntos os acusados Paulo Roberto Valente Gordilho e Luiz Inácio Lula da Silva", observou Moro.

Na sentença do tríplex, o juiz afirma que o ex-presidente da OAS, Léo Pinheiro, afirmou em depoimento que encontrou-se com o ex-tesoureiro do PT João Vaccari Neto em maio ou junho de 2014 e que acertou com ele que as reformas do triplex "e igualmente do sítio em Atibaia", seriam abatidas de uma conta geral de propinas que a OAS mantinha com o PT

Léo Pinheiro disse ainda que os projetos do sítio de Atibaia e do tríplex do Guarujá foram aprovados em reunião com o ex-presidente Lula em São Bernardo do Campo.

O engenheiro Paulo Roberto Valente Gordilho, que cuidou da reforma do sítio de Atibaia, disse em juízo que o ex-presidente e a ex-primeira dama nunca perguntaram os custos das duas reformas, a do sítio e a do tríplex.


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Cleide Carvalho
O Globo
Editado por Folha Política
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