sexta-feira, 14 de julho de 2017

'O julgamento das urnas não pode ser substituto da Justiça', diz procurador da Lava Jato


Imagem: Rodolfo Buhrer / Reuters
O procurador Carlos Fernando dos Santos Lima, da força-tarefa da Lava Jato em Curitiba, falou sobre a condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, dada nesta quarta-feira, 12, pelo juiz Sérgio Moro. Para o procurador, que estava na sala de interrogatório em maio quando Lula depôs ao magistrado, "o Brasil amadureceu ontem". O procurador disse, ainda, que a primeira sentença já "é passado" e afirmou que "voltamos (o Ministério Público) a trabalhar nas outras acusações que já estão na Justiça contra ele (Lula) e contra dezenas de outros", escreveu o procurador em seu Facebook.



Santos Lima disse que espera que a sentença de Moro seja confirmada na segunda instância. "Agora vamos esperar que o TRF confirme a condenação, tornando-a mais severa e correta diante da gravidade dos crimes cometidos. O Brasil é maior que qualquer pessoa ou partido". O ex-presidente é réu em outras quatro ações - dessas, apenas uma está na vara do Paraná. 

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Segundo Santos Lima, o Brasil é "maduro" para compreender que a sentença de Moro "obedeceu todos os ditames do estado de direito", afirmando que Lula teve seu direito de defesa assegurado. "Mesmo assim, a Força - Tarefa Lava Jato vai recorrer para especialmente aumentar a pena a que o ex-presidente foi condenado", afirmou.  Como informou o Estado, os procuradores da força-tarefa da Lava Jato dizem que discordam "em relação a alguns pontos" da decisão de Moro, que aplicou pena de nove anos e seis meses de prisão para Lula, mas não mandou prender o petista para "evitar certos traumas".

Na manhã desta quinta-feira, o procurador voltou a comentar o assunto e escreveu que "o julgamento das urnas é exclusivamente político", em uma referência à possível candidatura do petista em 2018, e disse que isso "não pode ser substituto da Justiça". 

"O julgamento das urnas é exclusivamente político, e não pode ser substituto da Justiça. Se for de outra forma, estaríamos criando um super foro privilegiado", escreveu. 

Ainda segundo o procurador, "nem mesmo se salva a ideia de que somente em casos de 'batom na cueca' deveria ele ser condenado pela Justiça", em referência a críticas de que a sentença foi dada com falta de provas. É esse um dos argumentos da defesa de Lula  e do PT.

Temer. A condenação de Lula foi dada no mesmo dia em que a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara iniciou os debates a respeito da aceitação da denúncia de corrupção passiva contra o presidente Michel Temer (PMDB), após a apresentação do parecer do relator do caso, deputado Sérgio Zveiter (PMDB-RJ). Em mais uma postagem, o procurador comentou o que chamou de "vergonhosas manobras para salvar Temer na Câmara dos Deputados" e disse, ainda, que "não podemos aceitar um acusado de corrupção só porque tememos a volta do outro".

"Agora que Lula foi condenado, é indispensável continuar o processo de combate à corrupção. Temer enfrenta uma acusação de propina durante o mandato. Há fartas provas e cabe ao STF julgá-las", escreveu.


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Elisa Clavery
O Estado de S. Paulo
Editado por Folha Política
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