domingo, 13 de agosto de 2017

Engenheiro admite que empreiteira comprou parlamentares de CPI


Imagem: Reprodução / Gazeta do Povo
Um empresário preso na Lava Jato descreveu em detalhes como funcionava um dos esquemas bilionários de corrupção nas grandes empreiteiras do país. Em depoimento ao juiz Marcelo Bretas, ele também explicou o que era a “lasanha de propina”.




Adir Assad é engenheiro. Ele admitiu ao juiz que a grande obra da vida dele foi montar um esquema para ajudar as empreiteiras a corromper políticos no Brasil, e a lucrar também.

“Tudo é uma questão de dinheiro. Para se eleger um deputado federal custa R$ 30 milhões. Para eleger um deputado estadual custa R$ 20 milhões. Tanto é que eu forneci para todas as empreiteiras, porque a gente tinha essa facilidade desse crime”, disse no depoimento.

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O crime é contra os cofres públicos. Dinheiro tirado das obras. No esquema, as empreiteiras contratavam as empresas de Adir Assad para fazer terraplanagem. O serviço não era feito, mas ele emitia notas fiscais milionárias mesmo sem ter removido um grão de areia.

Cobrava uma comissão de até 14% e devolvia a maior parte do dinheiro para a empreiteira que contratou o serviço. E em espécie, dinheiro vivo.

“Então como nós fazíamos? Nós colocávamos uma ou duas máquinas em cada obra. Se nos pegarmos aí o valor das notas fiscais, fica evidente que não tem como - R$ 1,2 milhão, R$ 1,1 milhão cada nota fiscal. Se nós dividirmos isso por R$ 100 a hora, a máquina precisa trabalhar seis meses, dia e noite, sábado e domingo, sem manutenção para durar dois anos para chegar num faturamento desse”, afirmou Assad.

O esquema era muito procurado porque Adir Assad tinha facilidade em conseguir dinheiro vivo, na boca do caixa. Como também era dono de empresas que promoviam shows, usava ingressos e mimos para seduzir gerentes de bancos.

“Tinha os ingressos à vontade para gerentes, para diretores. Não só o ingresso. O diretor, eu pegava o diretor e falava: ‘Ah, você gosta do U2? Então vou arrumar para você ir lá no camarim fazer uma foto com ele”, contou.

O apetite por propina era tão grande que criaram até um apelido para as malas dinheiro que circulavam pelo pais: lasanha

“A gente não colocava mais de 150, 170 mil reais por mala, porque elas faziam o tipo de uma lasanha, vai. Punha uma fiada de roupa não sei o que, uma fiada de dinheiro. Não sei se tinham um papel, um plástico que elas colocavam. E aí ia isso tudo para o avião”, disse.

Adir Assad se tornou tão importante no esquema de corrupção, que, segundo ele, as empreiteiras ficaram preocupadas quando foi chamado para depor na CPMI que em 2012 investigava as relações de Carlinhos Cachoeira com agentes públicos.

Adir Assad disse que só a Andrade Gutierrez gastou R$ 30 milhões em propina para os deputados não incomodarem.

Assad: Para matar a CPI. Tanto é que o dia que eu cheguei lá na CPI, foi uma maravilha. Porque eu cheguei lá estavam todos os deputados, senadores, todos no telefone, para não fazer pergunta pra mim. Quer dizer...

Juiz: Pagamento de propina

Assad: Pagamento de propina. Miou, né. A hora que eu cheguei lá parecia que eu fui lá fazer uma palestra. Nossa. Vai, Adir, senta aí. Vamos, acaba, acabou, acaba, para, para, fecha. Foi uma tranquilidade.

Adir Assad achou que nunca seria preso, e contou porque acreditava nisso.

“Mas aí a partir do momento que o senhor vê que a gente mandava ou recebia algum pagamento como se fosse lá de fora, do PSDB, da turma do PSDB, e dava em dinheiro aqui pro PT, aí você fala: aí agora ninguém mais vai me prender. Como é que vai me prender? Eu arrumo dinheiro para o PT, depois para o PSDB, eu sou o rei do mundo, ninguém vai mais pôr a mão em mim, eu nunca vou ser preso”, disse.

Adir Assad está preso desde o fim do ano passado, mas não perdeu o orgulho de ser o criador de um esquema bilionário de corrupção.

“Eu gerei um bilhão e 700 milhões de propina. Eu, sozinho”, afirmou.

O que dizem os citados

A Andrade Gutierrez declarou que continua colaborando com as investigações e reforçou o compromisso público de esclarecer e corrigir todos os fatos irregulares ocorridos no passado.

Em nota, o PT informou que todas as doações que recebeu aconteceram estritamente dentro da legalidade e foram posteriormente declaradas à Justiça Eleitoral.

O PSDB declarou que desconhece totalmente o teor das denúncias.

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Jornal Nacional
Editado por Política na Rede
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