sexta-feira, 25 de agosto de 2017

MP investiga se multa de Delúbio Soares foi paga com dinheiro desviado de sindicato de professores


Mensaleiros condenados fizeram 'vaquinhas' para pagar as multas
Imagem: José Paulo Lacerda / AE
O Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) apura se verba do Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Goiás (Sintego) foi desviada para ajudar a pagar multa de R$ 466 mil estipulada ao ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores (PT) Delúbio Soares devido ao seu envolvimento com o mensalão. A investigação da promotora Villys Marra se baseia em depoimentos de professores que denunciaram o caso em 2016 à Polícia Federal (PF).



O G1 e a TV Anhanguera tentaram contato com o ex-tesoureiro do PT e a defesa dele, mas ninguém foi localizado para comentar o caso.

Durante apuração do mensalão, Delúbio foi exonerado do cargo de professor estadual e condenado por corrupção ativa. O ex-tesoureiro do PT teve multa estipulada, mas foi perdoado da pena de 6 anos e 8 meses pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Após abrir um site para arrecadar doações para pagar o valor determinado, ele conseguiu recolher mais de R$ 1 milhão e quitar a dívida.

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Conforme apurou a TV Anhanguera, os depoimentos foram colhidos na sede da PF em Goiânia, que entendeu que o caso deveria ser investigado pelo MP-GO. Nos relatos, uma das professoras afirmou que foi convidada pela então presidente do Sintego, Ieda Leal, a participar de uma vaquinha para ajudar a pagar a multa estipulada a Delúbio por causa do mensalão.

A educadora relata ainda que não tinha dinheiro à época, mas emprestou nome e Cadastro de Pessoa Física (CPF) para ajudar nas transações. Segundo ela, colegas fizeram doações de verbas do sindicato, inclusive assinando recibos.

Outra filiada ao sindicato disse em depoimento que foi intimada “a colaborar em campanha para levantar verbas e pagarem a multa”. A professora conta que a então presidente do Sintego entregou a ela R$ 1 mil para que fossem depositados na conta da própria educadora e só então transferida conta que recebia as doações a Delúbio. Ela acredita que o valor repassado foi desviado de verbas do Sintego.

A mesma professora contou ainda que o ex-tesoureiro do PT compareceu ao Sintego após conseguir levantar o valor da multa para agradecer.

Um despacho da PF em Goiás também registrou denúncia de professoras de que a então tesoureira do Sintego e atual presidente do sindicato, Maria Euzébia de Lima, conhecida como Bia, também pediu ajuda aos filiados para pagamento da multa de Delúbio.

O mesmo documento registrou que, nos depoimentos, professores afirmaram que alguns membros da gestão atual do Sintego, que são filiados ao PT, desviaram verbas do sindicato para favorecer membros do “alto escalão do partido”.

O Sintego informou à TV Anhanguera que Ieda Leal e Bia de Lima negam que tenham realizado doações para campanhas políticas ou pessoas. Ainda conforme sindicato, as acusações não têm fundamento e são caluniosas, portanto, deve tomar medidas judiciais contra os autores das denúncias.

Já a direção estadual do Partido dos Trabalhadores informou à TV Anhanguera que não tem conhecimento dessa denúncia e que não recebeu qualquer valor indevido do Sintego.



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Inquérito

A promotora Villys Marra abriu um inquérito para apurar o caso, do qual fazem parte, além dos depoimentos dos professores, documentos apreendidos no Sintego. Ela garante que o material comprova que a diretoria do sindicato cometeu crimes de peculato, formação de quadrilha e falsidade ideológica.

“Na verdade fica claro que a utilização era de dinheiro do sindicato, do Sintego, para bancar a multa do Delúbio Soares. Isso está muito claro pela investigação. Os documentos apontam neste sentido, as declarações das testemunhas. As próprias pessoas assumiram que fizeram isso e dão riqueza de detalhes, que confirmam que esse fato realmente ocorreu”, disse em entrevista à TV Anhanguera.

Ainda segundo a promotora, o Sintego conseguiu uma liminar assinada pelo desembargador Carlos Alberto França, que determina “a imediata restituição à parte requerida de todos os documentos e provas obtidos com a quebra do sigilo bancário e fiscal da busca e apreensão desconstituídos nesta decisão”.

Villys Marra destaca que teme que os documentos se percam e que não seja possível dar andamento ao processo. “A preocupação é grande, porque essas provas, uma vez devolvidas, podem ser destruídas ou então escondidas. O prejuízo para a investigação pode ser muito grande.

O Tribunal de Justiça de Goiás (TJ-GO) informou que não pode comentar a decisão dada pelo desembargador.

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Vanessa Martins
G1
Editado por Política na Rede  
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